Brasil supera EUA e lidera exportações mundiais de alimentos
Com 12,5% do mercado internacional, país iguala soma de três concorrentes
O Brasil assume o primeiro lugar no ranking mundial de exportações de alimentos e ultrapassa os Estados Unidos, segundo levantamento publicado pela revista britânica The Economist. A liderança inédita coloca o país no centro das atenções do comércio internacional e amplia a responsabilidade nacional com o abastecimento do planeta.
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Dados do estudo mostram que a participação brasileira atinge 12,5% de todo o mercado global, superando os norte-americanos, que somam 12%. No total, os 15 principais exportadores concentram 63,5% das vendas agrícolas do planeta.
A fatia brasileira equivale à soma das exportações de Argentina, Índia e Canadá, que ocupam a terceira, quarta e quinta colocações. O desempenho foi analisado pelo ex-ministro da Agricultura e colunista da BandNews TV Antonio Cabrera, que enfatizou a importância do resultado histórico.
“O Brasil aparece em primeiro lugar entre os maiores exportadores de alimentos do mundo, à frente dos Estados Unidos pela primeira vez. O Brasil sozinho exporta a mesma parcela do comércio mundial de alimentos que o terceiro, o quarto e o quinto colocados somados”, destaca Cabrera.
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Logística como segurança alimentar
Na avaliação do ex-ministro, a posição de destaque traz exigências proporcionais ao volume exportado. Ele ressalta que a segurança alimentar do mundo depende de poucos grandes fornecedores e que eventuais falhas internas geram impactos diretos nos preços globais.
“Se faltar ferrovia, porto, armazenagem, ou eficiência no transporte de uma maneira geral, quem perde não é só o produtor brasileiro. O alimento demora mais, custa mais e chega a menos gente no mundo”, adverte o analista.
Cabrera reforça que gargalos no escoamento, como filas de caminhões nas rodovias e déficit de silos, encarecem a comida para os consumidores brasileiros e estrangeiros. Segundo ele, investir em infraestrutura não se trata de uma escolha política momentânea, mas de um compromisso do país com a demanda global.
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Diante de adversidades climáticas recentes, o setor produtivo nacional tem demonstrado capacidade de adaptação. Para proteger as lavouras e manter o fluxo das safras, o especialista indica a ampliação do seguro rural como o caminho mais eficaz para minimizar perdas no campo.
Potencial dos biocombustíveis na navegação
Outro ponto levantado na análise é o papel estratégico do Brasil na transição energética global. Mercados internacionais já iniciam exigências sustentáveis para as frotas mercantes, como a Índia, que projeta misturar 10% de biocombustível nos navios a partir de 2028, e a União Europeia, com metas de descarbonização marítima.
Nesse cenário, o país tem capacidade produtiva instalada, tecnologia e abundância de matéria-prima para atender a essas diretrizes. Cabrera defende a criação de políticas de estímulo aos combustíveis renováveis na cabotagem, que é o transporte marítimo de cargas realizado entre portos do mesmo litoral nacional.
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“Nós temos matéria-prima, temos uma das maiores indústrias de biocombustíveis do mundo, temos milhares de quilômetros de costa e já temos tecnologia disponível aqui, então por que também não começar aqui?”, questiona o colunista.
Para o ex-ministro, a expansão do uso de combustíveis limpos nas rotas náuticas criará novos mercados para o produtor rural e fortalecerá a matriz limpa nacional. Cabrera conclui que o horizonte do biocombustível brasileiro vai além do transporte terrestre e aéreo, estendendo-se às rotas marinhas.
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