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Agricultura natural pode prevenir doenças intestinais, afirma especialista

Debate aborda uso de agrotóxicos, riscos à saúde e propõe mudanças na forma de produzir alimentos

4 min

14/04/2026 15:30 • Atualizado há 139 dias

Agricultura natural pode prevenir doenças intestinais, afirma especialista

Em um cenário global de crescente preocupação com a qualidade dos alimentos e os impactos ambientais da produção agrícola, a Korin Bio promoveu, nesta terça-feira (14), um encontro voltado à discussão de alternativas sustentáveis baseadas na chamada Agricultura Natural — método produtivo inspirado nos ensinamentos do filósofo japonês Mokiti Okada.

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O evento reuniu especialistas, pesquisadores e profissionais da área da saúde e do agro brasileiro para refletir sobre os desafios atuais da agricultura e apresentar soluções centradas na regeneração do solo e no equilíbrio do microbioma. A primeira palestra contou com a participação do diretor da empresa, Sérgio Homma, e do microbiologista agrícola Ademir Durrer Bigaton.

Logo na abertura, Homma destacou que o modelo produtivo atual enfrenta um momento crítico. “O cenário da produção de alimentos está realmente muito preocupante, principalmente pelo uso intensivo de agrotóxicos, seus riscos e consequências”, afirmou. Segundo ele, o Brasil ocupa uma posição alarmante no consumo de agroquímicos, com níveis que chegam a ser o dobro de países europeus e dos Estados Unidos.

Veja abaixo:

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Apesar de reconhecer a alta produtividade agrícola nacional, o diretor alertou para a fragilidade do sistema. “Isso demonstra o quanto o nosso modelo de agricultura ainda está vulnerável. O resultado são alimentos contaminados por resíduos de agrotóxicos, o que é extremamente preocupante”, disse.

Homma também ressaltou que o impacto desses produtos vai além dos alimentos. Estudos citados durante a apresentação indicam a presença de contaminantes químicos em diferentes biomas e até em organismos distantes da atividade agrícola, evidenciando a ampla dispersão desses poluentes no meio ambiente.

Diante desse cenário, o diretor defendeu a necessidade de uma mudança estrutural no modelo de produção. “Não se trata apenas de substituir insumos, mas de substituir o processo. O foco precisa estar no solo, na origem de tudo”, afirmou. Ele reforçou que a proposta da Korin é atuar diretamente na causa dos desequilíbrios, e não apenas nos seus efeitos.

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A abordagem apresentada pela empresa se baseia no conceito de Agricultura Natural, que busca potencializar a força do solo por meio do equilíbrio biológico. “Quando o solo é puro, a vida floresce. Produzir alimentos não é apenas uma atividade econômica, é um compromisso com a vida”, completou.

O microbiologista Ademir Durrer Bigaton aprofundou o debate ao explicar o papel dos microrganismos nos ecossistemas. Segundo ele, esses organismos estão presentes há bilhões de anos e desempenham funções essenciais para a manutenção da vida no planeta. “Eles não servem apenas para causar doenças ou produzir alimentos. Na verdade, eles fazem praticamente tudo”, destacou.

Bigaton explicou que o microbioma — conjunto de microrganismos presentes no solo, nas plantas, nos animais e no corpo humano — é fundamental para a saúde dos ecossistemas. “Tudo está interligado. O solo é o maior reservatório de microrganismos e é dele que vem a base da vida”, afirmou.

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O especialista também chamou atenção para o conceito de disbiose, que representa o desequilíbrio desse microbioma. Segundo ele, práticas agrícolas convencionais, como o uso excessivo de pesticidas e fertilizantes químicos, impactam diretamente essa diversidade microbiana. “Quando perdemos essa diversidade, surgem problemas como pragas, doenças e até impactos na saúde humana”, explicou.

Durante a palestra, Bigaton destacou ainda a conexão entre solo, alimento e organismo humano. “Se não consumimos alimentos provenientes de um solo saudável, isso afeta diretamente o nosso microbioma intestinal. E isso tem relação com processos inflamatórios e diversas doenças”, disse.

Ele também ressaltou que a solução não está em atuar de forma isolada. “Não é um ou dois microrganismos que vão resolver o problema. É o equilíbrio de milhares de espécies interagindo entre si”, afirmou, citando estudos que identificaram mais de 30 mil espécies atuando conjuntamente em solos considerados saudáveis.

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Ao final da apresentação, ambos reforçaram que a proposta da Korin vai além da substituição de insumos químicos por biológicos. O objetivo, segundo eles, é promover o reequilíbrio dos sistemas naturais por meio da modulação do microbioma.

“A gente não está preocupado apenas em combater pragas ou doenças, mas em restaurar o equilíbrio do sistema como um todo”, explicou Bigaton.

O evento também abordou as diferenças entre agricultura convencional, orgânica, natural e hidropônica. Segundo os palestrantes, enquanto o modelo orgânico busca substituir insumos químicos por alternativas menos agressivas, a agricultura natural propõe uma mudança mais profunda, focada na regeneração do solo.

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“A causa das pragas não está nelas mesmas, mas no desequilíbrio do solo. É isso que precisa ser corrigido”, afirmou Homma.

A discussão mostrou que, diante dos desafios atuais da produção de alimentos, cresce a necessidade de repensar práticas agrícolas e adotar modelos que integrem ciência, sustentabilidade e saúde.

Para os especialistas, o caminho passa pelo entendimento de que solo, alimento e ser humano fazem parte de um mesmo sistema interdependente.

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