Estudo mostra regiões mais vulneráveis à poluição difusa gerada pelo agro
Pesquisadores da Embrapa Meio Ambiente, em São Paulo, e da Embrapa Solos, no Rio de Janeiro, concluíram um mapeamento inédito para identificar e classificar

Pesquisadores da Embrapa Meio Ambiente, em São Paulo, e da Embrapa Solos, no Rio de Janeiro, concluíram um mapeamento inédito para identificar e classificar os municípios brasileiros mais suscetíveis à poluição difusa proveniente das atividades agropecuárias, com foco na contaminação das águas por nitrogênio e fósforo.
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O estudo aponta que as áreas mais vulneráveis e críticas do país se concentram principalmente em municípios localizados nos estados de Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Goiás.
Além disso, a pesquisa destaca a região conhecida como Matopiba, principal fronteira agrícola em expansão nacional, que abrange áreas nos estados do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia. De forma mais localizada, o trabalho também apontou municípios nos estados do Paraná e de São Paulo que exigem elevada prioridade para ações de monitoramento da qualidade da água.
Segundo os especialistas da Embrapa, essas localidades combinam intensa atividade agropecuária, alto uso de insumos e características ambientais que facilitam o transporte de nutrientes para os rios.
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Metodologia e cruzamento de indicadores
A pesquisa foi conduzida pela cientista Rachel Prado, da Embrapa Meio Ambiente, em conjunto com o pesquisador Alexandre Ortega, da Embrapa Solos.
Para estruturar o mapeamento, a equipe cruzou grandes bases de dados nacionais utilizando Sistemas de Informação Geográfica, os chamados SIGs. Entre os principais indicadores considerados estão a entrega de fertilizantes nitrogenados, fosfatados e potássicos por cultura, o efetivo de rebanhos e a área de cana-de-açúcar sob fertirrigação.
Também foram integrados dados sobre o balanço hídrico quantitativo de microbacias e a erodibilidade dos solos à erosão hídrica, permitindo avaliar cenários de vulnerabilidade frente a mudanças climáticas.
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Desafios das fontes difusas e expansão de insumos
Enquanto a poluição pontual de esgotos urbanos e efluentes industriais possui controle tradicionalmente estabelecido no Brasil, a poluição difusa apresenta um comportamento muito mais complexo.
Ela ocorre por meio do escoamento superficial das águas da chuva, que carregam resíduos rurais como fertilizantes, defensivos, sedimentos e nutrientes diretamente para córregos, rios e reservatórios.
O trabalho reforça a urgência de ampliar o monitoramento para o meio rural para garantir a segurança hídrica e a preservação dos ecossistemas aquáticos.
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O alerta ganha força diante do crescimento expressivo do consumo de fertilizantes no país. Dados da Associação Nacional para Difusão de Adubos indicam que as entregas aos produtores saltaram de 14,7 milhões de toneladas em 1998 para 45,6 milhões de toneladas em 2024.
Projeções do setor apontam que essa demanda poderá alcançar cerca de 65 milhões de toneladas até 2050, evidenciando a necessidade de políticas públicas voltadas ao manejo adequado e à mitigação de perdas no campo.
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