EUA podem perder posto de maior exportador agrícola do mundo para o Brasil
Reportagem do Financial Times destaca que o desenvolvimento agrícola do Brasil também se dá graças ao avanço genético de culturas adaptadas ao clima

Uma reportagem publicada pelo jornal britânico Financial Times, uma das principais publicações de finanças do mundo, destaca: os Estados Unidos devem perder o posto de maior exportador agrícola do mundo. E este é um dos efeitos das políticas tarifárias do presidente americano Donald Trump.
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Desde que Trump começou a impor tarifas à China (isso acontecia em 2018, em seu primeiro mandato), Pequim — como retaliação — reduziu significativamente a compra de produtos agrícolas dos Estados Unidos. Os chineses começaram a comprar mais dos produtores brasileiros, como a soja, por exemplo.
Para dar uma ideia, em 2021, os Estados Unidos exportavam US$ 56 bilhões a mais do que o Brasil em produtos do agro. Já em 2025, a diferença caiu para apenas US$ 2 bilhões. E como, em 2026, as exportações brasileiras no agro cresceram 6% no primeiro semestre, atingindo um recorde de US$ 87 bilhões, o Brasil deve se tornar o número um do mundo.
A reportagem ainda destaca que a ascensão do agro brasileiro não se deve somente à guerra tarifária, mas que o desenvolvimento agrícola do Brasil também se dá graças ao avanço genético de culturas adaptadas ao clima, ao tratamento correto com nutrientes em solos que antes tinham baixa produtividade, o que leva nossos agricultores a terem duas ou três safras no mesmo ano. Diferentemente dos Estados Unidos, que só têm uma na maior parte das culturas.
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Com tudo isso, o Brasil, que um dia dependeu de importações para alimentar suas famílias — isso nos anos 1970 —, hoje se tornou o maior exportador de café, cana-de-açúcar, suco de laranja, soja, carnes de boi e frango. É um grande produtor de milho e maior exportador, assim como de algodão. A celulose também entra nessa lista, além do amendoim.
O desenvolvimento do agro foi impulsionado por políticas públicas dos anos 1970. O papel da Embrapa foi fundamental. O agro brasileiro cresceu e virou potência mundial.
Porém, poderíamos fazer muito mais. O Brasil carece de infraestrutura rodoviária, ferroviária e portuária, o que eleva o custo dos produtos. Boa parte do ganho de produtividade dos agricultores se perde neste caminho para fora do país.
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Quando entra a safra, a imagem clássica é de caminhões parados nas estradas e nos portos. Falta crédito ao agricultor, que sofre com juros muito mais elevados do que seus pares no exterior, seja para aumentar a safra ou mesmo para ampliar a estocagem com silos.
Falta dinheiro público para obras de infraestrutura no país e, quando há dinheiro privado, as obras ficam travadas pela burocracia, como licenças ambientais descabidas.
Um bom exemplo é a Ferrogrão, que escoaria a safra do Centro-Oeste até o Norte. O projeto está em discussão há 14 anos e não anda, apesar das provas de que é sustentável.
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Isso é só um exemplo. Há inúmeros. Imagine onde estaria a potência do agro se tivesse mais ajuda e menos burocracia.
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