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Liderança ruim faz 64% dos profissionais do agro pensarem em demissão

O agronegócio é o setor que registra o maior índice de insatisfação com chefias entre os setores da economia brasileira. A pesquisa, divulgada nesta

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17/10/2026 06:00 • Atualizado há 22 horas

Liderança ruim faz 64% dos profissionais do agro pensarem em demissão

O agronegócio é o setor que registra o maior índice de insatisfação com chefias entre os setores da economia brasileira. A pesquisa, divulgada nesta sexta-feira (16), aponta que 64% dos profissionais que atuam no segmento afirmam que uma liderança desmotivadora motivaria a saída do emprego.

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O dado integra o Guia Salarial 2027, elaborado pela consultoria de recrutamento Michael Page, e reflete um momento de cautela financeira no campo, onde o avanço dos custos e os juros elevados restringem contratações e reajustes voluntários.

A pesquisa mapeou as respostas de 5.762 profissionais e 1.955 empresas em 15 segmentos de mercado. No setor agropecuário, 94% dos trabalhadores declaram que o relacionamento com o gestor imediato interfere diretamente na escolha entre permanecer ou deixar uma organização. Além disso, a falta de perspectiva para evolução na carreira aparece como motivo de desligamento para 73% dos entrevistados.

A postura corporativa, contudo, caminha em descompasso com a percepção dos funcionários. No agronegócio, somente 2% das companhias tratam a liderança inspiradora como principal recurso de retenção de talentos. O foco empresarial recai sobre a cultura corporativa (29%), salários superiores à média (18%), benefícios básicos (16%) e planos de promoção interna (16%).

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Pressão orçamentária valoriza gestão de equipes

O cenário econômico reforça a importância das relações de trabalho diretas no campo. Segundo o estudo, 56% dos empreendimentos agrícolas e agroindustriais planejam limitar os aumentos salariais aos índices obrigatórios estabelecidos por lei ou dissídio coletivo, patamar que lidera o ranking setorial de contenção de despesas. Paralelamente, 55% das empresas colocam o enxugamento de equipes entre as prioridades operacionais.

O diretor executivo da Michael Page Brasil, Stephano Dedini, avalia que o aperto nas contas transfere o peso da retenção para a rotina diária das propriedades e unidades fabris. O executivo destaca que fatores como transparência profissional, autonomia e reconhecimento ganham relevância quando o orçamento não permite expansões financeiras imediatas.

A distância física entre a sede administrativa e os polos de produção acentua esse quadro. No agronegócio, grande parte dos colaboradores atua longe dos centros urbanos, o que transforma o gestor local na principal referência de direcionamento, retorno de desempenho e perspectiva de futuro para as equipes operacionais.

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Demanda salarial e tecnologia no campo

O Guia Salarial 2027 também revela avanços e gargalos na modernização do agronegócio. Embora 95% dos profissionais reconheçam ganhos diretos no trabalho com o uso de inteligência artificial — aplicada na operação de maquinários, monitoramento de solo e previsões climáticas —, apenas 15% das empresas oferecem acesso amplo a essas tecnologias, e 9% cobram conhecimento na área durante contratações.

Na estrutura de remuneração de grandes empresas rurais e indústrias, os cargos de gerência concentram os maiores pacotes mensais do setor:

  • Gerente agrícola corporativo: R$ 60 mil
  • Gerente industrial: R$ 58 mil
  • Gerente agrícola: R$ 55 mil
  • Gerente de qualidade: R$ 55 mil
  • Gerente de manutenção: R$ 50 mil
  • Gerente de pesquisa e desenvolvimento: R$ 50 mil
  • Gerente de melhoria contínua: R$ 45 mil
  • Gerente de fazenda e Gerente de produção: R$ 42 mil
  • Gerente de saúde, segurança e meio ambiente (SSMA): R$ 40 mil

As contratações no agronegócio mantêm foco prioritário em áreas como vendas, marketing e gestão de projetos, enquanto as posições operacionais de base registram menor rotatividade em decorrência do ciclo cauteloso do mercado.

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