Agro

Trigo: área plantada no Brasil é a menor desde 2017, aponta Cepea

País deve importar 7,5 milhões de toneladas e assumir 4ª posição no ranking global de compradores de cereal, estima USDA

2 min

18/08/2026 12:24 • Atualizado há 13 dias

Trigo: área plantada no Brasil é a menor desde 2017, aponta Cepea

A área destinada ao cultivo de trigo no Brasil na safra 2026/27 atinge o menor nível registrado desde 2017. O recuo na semeadura reduz a oferta doméstica do cereal e amplia a dependência do mercado externo para suprir a demanda da indústria nacional de alimentos, segundo levantamento do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea).

Continua depois da publicidade

Com menos hectares semeados nas principais regiões produtoras, o volume colhido no campo não será suficiente para abastecer os moinhos do país. O cenário exige que o setor industrial amplie as compras internacionais para garantir o fornecimento de derivados básicos, como farinhas, massas e pães.

A retração nas lavouras reflete o desestímulo do produtor rural diante dos custos elevados de produção e da instabilidade nas cotações globais da commodity agrícola — termo que define matérias-primas cotadas no mercado financeiro internacional. Além disso, perdas climáticas registradas em safras passadas pesaram na decisão de diminuir o espaço do grão de inverno.

Diante do aperto na colheita brasileira, projeções do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) indicam que o Brasil deve importar 7,5 milhões de toneladas de trigo entre outubro de 2026 e setembro de 2027.

Continua depois da publicidade

Com esse volume expressivo, o mercado nacional passa a ocupar o quarto lugar no ranking dos maiores importadores mundiais do cereal. O país fica atrás apenas de Egito, Indonésia e Argélia.

A Argentina segue como a principal fornecedora do grão para o Brasil, favorecida pela proximidade logística e pelas tarifas preferenciais do Mercosul. Contudo, a necessidade elevada de abastecimento pode levar as indústrias nacionais a buscarem cargas adicionais em produtores da América do Norte e da Europa.

A dependência externa traz impactos diretos para toda a cadeia do agronegócio e para o abastecimento urbano. As indústrias moageiras dependem da taxa de câmbio e das cotações em dólar para fechar as operações de importação de trigo.

Continua depois da publicidade

A oscilação da moeda estrangeira e os custos com frete marítimo representam pressões financeiras adicionais sobre as margens operacionais do setor produtivo.

Para o consumidor, a maior presença do cereal importado na moagem pode influenciar a formação de preços no varejo. Alimentos de consumo diário, como o pão francês e biscoitos, tornam-se mais sensíveis às variações do mercado externo.

Historicamente, os Estados do Paraná e do Rio Grande do Sul concentram a maior parte da produção brasileira. Embora haja avanços no cultivo de trigo adaptado ao Cerrado, a produção do Centro-Oeste ainda não compensa o recuo da área nos polos tradicionais do Sul.

Seguir a Band no Google

Tópicos relacionados

Trigo: área plantada no Brasil é a menor desde 2017, aponta Cepea