Ministros farão força-tarefa em celular de Vorcaro para confrontar Mendonça
Moraes, Zanin e Gilmar aceleram análise para comparar dados com relatório de Mendonça e mapear possíveis "omissões"
Os ministros Alexandre de Moraes, Cristiano Zanin e Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), montaram uma força-tarefa em cada gabinete para analisar o conteúdo do celular de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.
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Força-tarefa em três gabinetes
Participam do trabalho juízes auxiliares, servidores e especialistas em tecnologia da informação, que se debruçam sobre o material extraído pela PF e encaminhado simultaneamente aos três gabinetes.
De acordo com a organização interna, o trabalho é individualizado: cada integrante das equipes se responsabiliza por uma área específica do conteúdo, com o objetivo de acelerar a leitura e sistematizar os achados que serão posteriormente apresentados aos ministros.
Apesar da mobilização semelhante, os gabinetes atuam de forma independente. Cada grupo analisa o celular por conta própria e levará suas conclusões diretamente aos respectivos ministros, sem uma coordenação centralizada entre as três equipes.
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Objetivo é mapear pontos-chave até o fim da tarde
A meta é chegar ao fim da tarde com os principais pontos do conteúdo já mapeados, para que Moraes, Zanin e Gilmar tenham elementos adicionais ao preparar seus votos em processo relacionado ao caso na sessão desta terça-feira (15).
O levantamento inclui a identificação de mensagens, registros e eventuais interações consideradas relevantes. A intenção é que, com o material organizado, os ministros disponham de mais subsídios quando forem analisar o caso em plenário.
Dados serão confrontados com relatório de Mendonça
Todo o conteúdo extraído do aparelho será confrontado com o relatório já disponibilizado pelo ministro André Mendonça, também do STF. A orientação nos gabinetes é verificar se há divergências entre os documentos e identificar possíveis "omissões" em relação ao que foi inicialmente apresentado.
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A checagem deve considerar não apenas a existência de dados adicionais, mas também a forma como eles foram descritos ou interpretados anteriormente. A partir desse cruzamento, cada ministro pretende calibrar seu voto levando em conta o conjunto de informações obtidas a partir do celular de Vorcaro e do relatório elaborado por Mendonça.
Abertura de todos os documentos e determinação do STF
A investigação teve um novo capítulo na tarde desta sexta (11). A Procuradoria-Geral da República, em manifestação oficial, pediu ao STF a queda total do sigilo de todos os documentos do Caso Master. Em resposta imediata, o ministro Edson Fachin atendeu ao pedido para liberar os documentos e deu 24 horas para André Mendonça retirar o sigilo total do caso. A medida ocorreu após o ministro Alexandre de Moraes afirmar que Mendonça foi seletivo e pedir a queda total de sigilo, além de Cristiano Zanin solicitar a Fachin a íntegra da investigação na posse de Mendonça.
Queda do sigilo e reações no STF e no Congresso
A crise no STF (Supremo Tribunal Federal) teve um novo desfecho após a determinação do presidente da Corte, Edson Fachin, para que o relator do caso acatasse a abertura das investigações. A medida levou o ministro André Mendonça a retirar o sigilo do Caso Master, liberando o acesso público aos autos do processo na noite de quinta-feira (10).
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A decisão gerou impacto imediato na classe política, gerando manifestações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), de parlamentares e de líderes do Congresso, onde políticos reagiram ao fim do sigilo do Caso Master Além disso, o julgamento gerou bastidores intensos na Corte, com o ministro Edson Fachin pressionado a fechar sessão no STF para debater de portas fechadas a situação dos magistrados citados.
Contratos e suspeitas envolvendo ministros do STF
Com a abertura dos documentos oficiais, relatórios da Polícia Federal detalharam pagamentos e contratos mantidos pelo banqueiro Daniel Vorcaro com familiares e fundos ligados a magistrados. Entre as revelações, o contrato do escritório de Viviane Barci de Moraes com o Banco Master foi divulgado, registrando honorários milionários por serviços jurídicos.
Paralelamente, os relatórios apontaram novos indícios de irregularidades envolvendo outros integrantes da Corte, uma vez que a PF apontou suspeitas sobre o ministro Dias Toffoli em transações ligadas a fundos de investimento. Em declaração pública sobre a crise, o presidente Lula afirmou que Moraes e Mendonça devem pagar se forem culpados.
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Operações ilegais, inteligência paralela e fuga de Vorcaro
A apuração sobre a atuação de Daniel Vorcaro revelou uma rede paralela de proteção e contrainteligência montada em favor do banqueiro. Segundo os relatórios, um grupo de policiais recebia pagamentos para violar sistemas e monitorar adversários do empresário.
Apurações indicam ainda que Vorcaro desconfiou de um carro da PF e acionou milicianos para investigar agentes federais, além de a PF apontar a ação de Vorcaro para recuperar a conta de uma atriz em caso no qual o PCC acabou citado.
Os investigadores registraram também que Vorcaro sabia da operação e planejou fuga para o exterior antes do cumprimento das ordens judiciais, contando com o apoio de uma servidora do MPF investigada por vazamento de dados.
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Contabilidade paralela e influência em redes sociais
O mapeamento financeiro realizado pelos peritos expôs o organograma de gastos operacionais e estratégias de imagem do ex-controlador da instituição financeira.
As planilhas apreendidas mostraram que a PF expôs gastos milionários de Daniel Vorcaro, ao mesmo tempo em que os agentes localizaram um quadro com o fluxo de caixa do Banco Master indicando movimentações suspeitas.
Para blindar a imagem do banco e atacar críticos na internet, a PF mapeou 22 influenciadores suspeitos de campanha pró-Vorcaro.
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Transações financeiras com órgãos públicos e fundos de pensão
As investigações do Caso Master e os desdobramentos operacionais revelaram um rastro de aplicações e transferências irregulares de recursos públicos e privados.
As análises demonstraram que a cúpula da supervisão do Banco Central prestava consultoria a Vorcaro, enquanto instituições públicas realizavam aportes sem o devido respaldo técnico, a exemplo do AparecidaPrev, que investiu R$ 40 milhões no Banco Master sem aval.
Além disso, auditorias apontaram que o BRB transferiu R$ 12,2 bilhões ao Banco Master por meio da aquisição de carteiras de crédito em apenas cinco meses.
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Ramificações políticas e a investigação Dark Horse
Em uma frente ligada aos desdobramentos das operações de busca e apreensão da Polícia Federal, o inquérito alcançou figuras do cenário político nacional.
A apuração que aponta o financiamento de uma produtora cinematográfica culminou no fato de que Flávio Bolsonaro passou a ser investigado pela PF no inquérito Dark Horse. Relatórios apontam que Flávio teria se encontrado com Vorcaro antes do áudio sobre o filme, embora o parlamentar tenha classificado as suspeitas como 'mais do mesmo' após a PF revelar o novo encontro. Em outra frente de investigação financeira no exterior, a PF indicou que Eduardo Bolsonaro orientou remessas de R$ 134 milhões a um fundo nos EUA.
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