Crime organizado latino-americano avança pela Europa e amplia o tráfico de drogas
Uma longa investigação publicada no jornal britânico The Guardian mostra um forte aumento do tráfico de cocaína para a Europa

O crime organizado latino-americano já está atuando em pelo menos 12 países da Europa. Uma longa investigação publicada no jornal britânico The Guardian mostra um forte aumento do tráfico de cocaína para a Europa, diretamente ligado à expansão da presença de organizações criminosas latino-americanas no continente. Essas organizações vêm, inclusive, estabelecendo laços com grupos mafiosos locais.
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A apuração do jornalista brasileiro Andrei Netto foi baseada em informações policiais e de inteligência europeia, entrevistas com juízes, promotores e especialistas, além de acesso a bancos de dados.
As principais facções criminosas que atuam por aqui vêm da Colômbia, do Equador, da Venezuela, do México, dos Estados Unidos e do Brasil, com o PCC e o Comando Vermelho. Essas organizações estabeleceram presença em países como Espanha, Portugal, Holanda, Bélgica e aqui na França. Mas também atuam na Alemanha, na Romênia, na Croácia, na Bulgária e na Eslováquia.
O crime organizado sempre esteve presente, mas não na dimensão que se apresenta hoje. Não se trata apenas do envio de drogas para este lado do Atlântico: as facções também mantêm laboratórios de metanfetamina por aqui, como os descobertos recentemente no sul da França, na Polônia e na Alemanha.
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E mais: um relatório do Ministério Público de São Paulo, baseado em informações da Abin Agência Brasileira de Inteligência, sugere que a presença criminosa latino-americana no continente pode ser ainda maior. O PCC, por exemplo, segundo esse relatório, atua em 16 países europeus, incluindo Reino Unido, Irlanda, Islândia, Sérvia, Suécia e Suíça, além da Turquia.
O problema se agravou na última década. As drogas por aqui viraram uma epidemia. E a produção latino-americana acompanhou esse avanço: quadruplicou nos últimos dez anos, atingindo um recorde de 4.100 toneladas. Só o cultivo da coca ocupa 385 mil hectares.O Brasil, que não produz cocaína, tornou-se uma importante rota de escoamento de drogas para a Europa. Elas saem de portos e aeroportos brasileiros e chegam por aqui aos montes.
E por que as drogas estão inundando a Europa? As margens de lucro no continente são maiores do que nos Estados Unidos. O consumo europeu representa um quarto do consumo mundial. Na última década, as forças policiais europeias apreenderam mais drogas do que as americanas.
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Ou seja, é um problema mundial que vem ganhando ainda mais dimensão. E não se trata apenas de o governo americano classificar as facções como terroristas — caso do PCC e do Comando Vermelho. Como o problema já é uma epidemia aqui na Europa, é de se esperar que os líderes europeus adotem posições mais duras em relação aos países produtores e aos que servem de rota para o escoamento das drogas.
Claro que, onde há consumo, há venda. Por isso, todos os países precisam tomar medidas para combater esse mal dentro de seus próprios territórios.
No Brasil, a gente vê o mal que essas organizações fazem ao país: não só à saúde pública, mas também com seus tentáculos nas instituições e na economia real, provocando ondas de violência e corrompendo a sociedade.
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O país tem intensificado o combate? Sim, mas ainda é muito pouco em relação à dimensão do problema.
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