Sonia Blota

França tem segundo dia de protestos contra proposta de congelar salários

Mais de 450 pessoas foram detidas, a maior parte estudantes do ensino médio

2 min

30/09/2026 10:03 • Atualizado há 17 dias

França tem segundo dia de protestos contra proposta de congelar salários

A França entra no segundo dia de protestos em todo o país. O estopim foi a proposta de congelamento salarial prevista no projeto de orçamento para 2027, que será votado. Alunos do ensino médio também apoiam a greve do funcionalismo público, que inclui os professores.

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Cenas de barbárie, com fogo pelas ruas das principais cidades do país, ônibus incendiados, morteiros e confrontos com as forças policiais. Mais de 450 pessoas foram detidas, a maior parte estudantes do ensino médio.

Tudo isso em um clima também de polarização da sociedade. As eleições, em abril do ano que vem, já dominam os noticiários e as rodas de conversa. Os políticos já tentam tirar proveito dos protestos, com a direita dizendo que a violência é insuflada pela extrema esquerda, enquanto os esquerdistas acusam os direitistas de insensibilidade social.

Todo esse clima se dá em meio à revolta da sociedade com a perda do poder de compra, com os preços dos combustíveis e da energia subindo em disparada, além da deterioração dos serviços públicos, seja na educação ou na saúde. Qualquer fagulha, neste momento, pode desencadear uma crise.

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Recentemente, já tivemos os pescadores bloqueando os portos do país por conta do preço do diesel. A polícia protestou no último fim de semana e, agora, os estudantes se manifestam em apoio à paralisação de todas as categorias do funcionalismo público. A gente sabe que protestos fazem parte da cultura francesa e que esse mal-estar na sociedade vai levar a meses bem difíceis pela frente.

O Estado de bem-estar social francês está em xeque. O governo diz não ter outra alternativa a não ser cortar urgentemente os gastos, já que a dívida pública francesa atingiu 119 por cento do PIB e o déficit público está em torno de 5 por cento do PIB.

Os juros pagos pela França nos títulos de dez anos estão em 4,8 por cento, o maior nível desde 2008 e acima dos de outros países europeus, como Itália, Grécia, Espanha e Portugal — países que já viveram crises econômicas devido à dívida pública.

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O inverno está se aproximando, e o custo da energia vai pesar cada vez mais no bolso do contribuinte.

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