Sonia Blota

Voo de Dubai a Tel Aviv: ataque na cabine coloca segurança aérea em xeque

Incidente que deixou piloto ferido e quase provocou uma tragédia levanta questionamentos sobre protocolos de segurança e avaliação de profissionais da aviação

2 min

01/10/2026 10:27 • Atualizado há 16 dias

Voo de Dubai a Tel Aviv: ataque na cabine coloca segurança aérea em xeque

Continuam as investigações sobre o incidente ocorrido ontem no voo de Dubai para Tel Aviv, que escapou por pouco de terminar em uma grande tragédia. Os Emirados Árabes Unidos abriram uma investigação que deverá determinar, entre outros pontos, se o episódio teve motivação terrorista. Já o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu afirmou que Israel acompanha o caso e poderá participar da investigação. Disse também que é cedo para apontar algum envolvimento do Irã.

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O voo da Flydubai, companhia dos Emirados Árabes Unidos, transportava muitos israelenses. Durante a viagem, passageiros perceberam uma confusão na cabine de comando e, em instantes, vivenciaram o terror a bordo: o avião perdeu cerca de 5 mil metros de altitude. Segundo autoridades israelenses, o copiloto, identificado como cidadão de Omã, esfaqueou o comandante e teria tentado derrubar o avião. Sua identidade ainda não havia sido divulgada oficialmente.

O comandante, o indiano Smit Machchhar, mesmo gravemente ferido, conseguiu destravar a porta da cabine. Passageiros e tripulantes dominaram o agressor, e outros dois pilotos da companhia que estavam a bordo assumiram o controle e pousaram em Tabuk, na Arábia Saudita. Segundo Netanyahu, a ação salvou 174 vidas. Machchhar está hospitalizado em condição estável.

De fato, uma tragédia foi evitada por pouco. Bom, os serviços de inteligência de Israel e dos Emirados têm recursos para esclarecer esse episódio. É preciso que a investigação traga respostas. E, seja qual for a motivação — terrorismo, um problema psiquiátrico, uma briga —, é necessário saber qual instrumento foi usado no ataque, de onde ele veio e como estava acessível dentro do avião. Estamos falando de uma agressão que deixou o comandante gravemente ferido.

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E, gente, pilotos e copilotos passam por avaliações médicas e de aptidão para exercer suas funções. Como alguém sem condições psicológicas para voar, ou com a intenção de provocar uma tragédia, pode estar no comando de um voo comercial?

Há casos de tragédias aéreas relacionados às condições psicológicas dos pilotos. Em 2015, eu cobri, nos Alpes franceses, a tragédia do voo da Germanwings. O copiloto aproveitou a saída do comandante da cabine, bloqueou seu retorno e iniciou deliberadamente a descida do avião até atingir as montanhas. O voo ia de Barcelona, na Espanha, para Düsseldorf, na Alemanha. Cento e cinquenta pessoas morreram. A investigação identificou falhas no processo de acompanhamento médico que permitiram ao copiloto continuar voando.No caso de ontem, heróis estavam a bordo e o pior foi evitado. Mas, os protocolos de segurança aérea estão em xeque e precisam mudar.

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