Economia

Juros longos podem recuar até 19,7% após fim do segundo turno, apontam especialistas

Juros registraram queda de 1 ponto percentua um dia após o fim do primeiro turno das eleições

3 min

06/10/2026 10:11 • Atualizado há 11 dias

Juros longos podem recuar até 19,7% após fim do segundo turno, apontam especialistas

Economistas sinalizaram que os juros longos podem recuar consideravelmente após o segundo turno das eleições, em 25 de outubro. Nesta segunda-feira (5), um dia após a definição do primeiro turno das eleições, a queda foi superior a 1 ponto percentual em trechos da curva. A queda altera a relação entre o risco e retorno no país e sinaliza uma melhora geral da economia.

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Os juros longos, conhecidos no mercado financeiro como taxas de juros de longo prazo, refletem as expectativas da economia para prazos mais estendidos, como os contratos de 10 ou 15 anos. Ao contrário da taxa Selic — que é a taxa básica de juros definida pelo Banco Central para o curto prazo —, os juros longos são formados pelas negociações do mercado financeiro e variam conforme o humor dos investidores em relação à inflação futura, à estabilidade política e, principalmente, à responsabilidade fiscal do governo.

Quando o mercado percebe riscos na economia — como o aumento excessivo da dívida pública ou instabilidade institucional —, os investidores exigem um prêmio maior para emprestar dinheiro por longos períodos, fazendo com que os juros longos subam. Por outro lado, quando há sinais de melhora na confiança fiscal e queda na incerteza, essas taxas tendem a recuar, barateando o crédito de longo prazo, como os financiamentos imobiliários e emissão de debêntures, antes mesmo de novos cortes na taxa Selic.

O impacto na economia real e nos investimentos

O resultado eleitoral modificou a taxa utilizada para trazer lucros futuros a valor presente, aumentando o valor de empresas com crescimento concentrado para os próximos anos. Para o Diretor da Bossa Invest, Bruno von Medem, uma curva longa próxima de 12,7% indo para 10,9% a 11,5% altera materialmente a relação entre risco e retorno no país.

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Ele explica que o processo é importante para o setor de venture capital por meio de três canais principais: valuation, liquidez e a disposição de investidores para alongar o horizonte e aceitar riscos.

Antecipação do mercado e prêmio de risco

Segundo o CEO da Pilar Capital, André Luiz Haas Caruso, o movimento das carteiras mostra que o mercado começou a retirar parte do prêmio de risco embutido nos ativos brasileiros ao antecipar cenários. "Se houver uma melhora consistente e, principalmente, crível da situação fiscal, acredito que os juros de longo prazo ainda possam recuar algo entre 1,5 e 2,5 pontos percentuais até o fim de 2027", afirma André Luiz Haas Caruso.

O executivo destaca ainda que a redução dos juros longos pode chegar ao crédito antes mesmo de novos cortes na taxa Selic, embora o principal risco seja o mercado ter antecipado uma melhora que não se confirme por falta de medidas fiscais concretas.

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Oportunidades na bolsa de valores

Para o analista da Ouro Preto Investimentos, Sidney Lima, o investidor deve ser muito mais seletivo após a forte alta recente. "A partir de agora, o próximo avanço dependerá menos da eleição em si e mais da confirmação de uma agenda fiscal capaz de reduzir o prêmio de risco e os juros de longo prazo", aponta Sidney Lima.

O analista enxerga maior assimetria em empresas domésticas de qualidade ligadas à construção, shoppings, infraestrutura, concessões, saúde e consumo, recomendando entradas graduais e cautela para evitar compras impulsionadas pela euforia.

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