Pagar à vista ou financiar? Ter dinheiro nem sempre é a melhor opção
Entenda a estratégia da arbitragem, em que juros altos fazem da dívida uma aliada

O senso comum dita que contrair uma dívida é algo a ser evitado e que, se você tem o dinheiro disponível, o melhor é pagar a casa própria à vista. No entanto, em um cenário de juros elevados, a lógica financeira pode ser exatamente a oposta.
Continua depois da publicidade
O Band.com.br ouviu Antônio Sanches, analista da Rico, que explica por que manter o dinheiro aplicado e financiar o imóvel pode ser uma decisão mais inteligente para o seu bolso.
A conta da "arbitragem"
A chave para essa decisão está na comparação entre os juros que você paga ao banco e os juros que você recebe do seu investimento. É o que o mercado chama de arbitragem.
"Se você consegue um financiamento com taxas reguladas (como as de programas habitacionais) em torno de 9,9% ao ano, mas o seu dinheiro aplicado no Tesouro rende 15% ao ano, você está lucrando", pontua Sanches. Na prática, você ganha 5% de juros sobre o dinheiro do próprio banco, mantendo seu capital rendendo e disponível para emergências.
Continua depois da publicidade
Quando o pagamento à vista vale a pena?
A vantagem do financiamento diminui quando as taxas sobem para o chamado "valor de mercado". Segundo o analista, para imóveis de alto padrão, os juros podem chegar a 14,9% ao ano.
"Nesse caso, a taxa de juros do financiamento empata com a rentabilidade de um investimento conservador. É preciso pesquisar bem o banco para ver se ainda existe uma diferença positiva. Se não houver, o pagamento à vista ou uma entrada maior tornam-se mais interessantes", orienta.
Imóvel como investimento: vale o risco?
Para quem pensa em comprar imóveis visando o rendimento de aluguel, Sanches traz um comparativo técnico que favorece o mercado financeiro:
Continua depois da publicidade
"O rendimento financeiro hoje é mais que o dobro do aluguel. Além disso, o imóvel é renda variável: você não sabe exatamente quanto ele vai valorizar", diz. Ele cita o exemplo de 2025: enquanto imóveis em São Paulo valorizaram 4,5% (próximo à inflação), em Salvador a valorização média foi de 16,25%.
"O imóvel pode ser um excelente investimento, mas depende totalmente da localização e de quanto o mercado está aquecido naquela região específica. Não é uma regra geral como a renda fixa", conclui o analista.
Fique por dentro das últimas
notícias
