Pedir demissão supera demitir: tendência cresce no Brasil
Crescimento nas buscas e recordes de desligamentos voluntários refletem mudança de mentalidade no mercado de trabalho

Quem quer sair do trabalho está em alta — e isso diz muito sobre o Brasil
O Google tem mostrado um fenômeno curioso: o brasileiro anda mais interessado em saber como pedir demissão do que em aprender como demitir. Essa virada de chave, por sua vez, não é de hoje. Segundo dados da Sala Digital, parceria da Band com o Google, as buscas por "como pedir demissão" superaram as por "como demitir" ainda em 2019 — no pré-pandemia.
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De lá pra cá, o interesse só cresceu. Houve uma queda em relação ao pico de 2023, mas o movimento segue forte: nos últimos dez anos, o aumento nas buscas por “como se demitir” foi de 140%.

Um recorde atrás do outro: pedidos de demissão batem números históricos
Esse comportamento online tem reflexo direto no mundo real. O Brasil registrou, em 2024, um recorde histórico de pedidos de demissão: quase 8,5 milhões de trabalhadores deixaram seus empregos de forma voluntária.
Só nos cinco primeiros meses do ano, o crescimento foi de 14,4% em relação ao mesmo período de 2023, segundo levantamento da FGV com base em dados do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados).
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Por que tanta gente está pedindo demissão?
Especialistas apontam que essa mudança tem múltiplas causas — todas com forte impacto na forma como nos relacionamos com o trabalho:
- Economia em recuperação: com o crescimento do PIB e a geração de empregos, os profissionais se sentem mais seguros para arriscar novas oportunidades.
- Efeito pós-pandemia: o trabalho remoto e o isolamento fizeram muita gente rever prioridades, buscando mais tempo, autonomia e qualidade de vida.
- Boom do empreendedorismo: o número de microempreendedores individuais (MEIs) mais que triplicou na última década. O desejo de comandar o próprio negócio tem atraído cada vez mais trabalhadores.
Uma nova relação com o trabalho
Pedir demissão virou não só um movimento individual, mas também um reflexo de novos valores sociais para quem pode escolher. Flexibilidade, bem-estar e autonomia ganharam espaço frente à estabilidade a qualquer custo. Os dados mostram que essa tendência veio para ficar.
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