Economia

Petrobras: Amapá pode produzir petróleo em águas profundas em até 7 anos

Identificação de hidrocarbonetos na Margem Equatorial reforça potencial da Bacia da Foz do Amazonas, mas viabilidade comercial ainda depende de novos estudos

4 min

15/08/2026 19:58 • Atualizado há 16 dias

Em entrevista à BandNews TV, a presidente da Petrobras, Magda Chambriard, afirmou que o estado do Amapá poderá produzir petróleo em águas ultraprofundas em um prazo estimado de seis a sete anos, a partir da descoberta de hidrocarbonetos em um poço exploratório na Margem Equatorial, na costa da Bacia da Foz do Amazonas.

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Descoberta em águas ultraprofundas na Margem Equatorial

A Margem Equatorial é considerada a mais nova fronteira de exploração de petróleo do país. A região abrange uma faixa litorânea de cerca de 2,2 mil quilômetros, que se estende da altura do Amapá até o Rio Grande do Norte, em águas profundas do Atlântico.

Na campanha atual, a Petrobras identificou hidrocarbonetos durante a perfuração do poço Morpho, localizado a aproximadamente 175 quilômetros da costa amapaense, em lâmina d'água de quase 3 mil metros. Esses indícios apontam para a possível presença de petróleo ou gás natural no reservatório.

Segundo a companhia, essa é apenas a primeira etapa da exploração. O próximo passo é continuar a perfuração e os estudos para determinar a qualidade do óleo e o potencial comercial da descoberta.

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Descoberta não é sinônimo de reserva comercial

Especialistas ressaltam que a presença de hidrocarbonetos não significa, automaticamente, que o campo se tornará um projeto de produção. Para isso, é preciso saber quanto petróleo ou gás existe na área e se o volume justifica economicamente a implantação de uma estrutura de exploração em larga escala.

“São rochas porosas e, dentro desses poros, fica o fluido. Nessa formação rochosa, nesses poros, eles encontraram um fluido com indícios de hidrocarbonetos, que é petróleo ou gás natural. Reserva é quando você consegue delimitar, quantificar e qualificar”, explicou Telmo Ghiorzi, presidente-executivo da ABESPetro.

Magda Chambriard destacou que o poço perfurado na costa do Amapá seguirá em atividade até o fim de agosto ou início de setembro e que serão necessários novos poços de delimitação para avaliar a área.

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Nós temos uma descoberta. Temos o óleo do Amapá nas nossas mãos. Agora, quanto de petróleo é a continuidade desses estudos que vai dizer. Existe uma diferença muito grande entre uma descoberta e uma descoberta comercial. Acreditamos que vai ser uma descoberta comercial

Quando será possível saber se o campo é viável

De acordo com a Petrobras, só depois da conclusão da perfuração do poço atual, da análise das amostras e da abertura de novos poços de delimitação será possível declarar se o achado tem viabilidade comercial. Esse processo inclui testes de produção, modelagem geológica e estudos econômicos.

Na visão de Magda Chambriard, o cronograma em estudo prevê que, se a descoberta se confirmar como comercial, o Amapá poderá iniciar a produção de petróleo em águas profundas em cerca de seis a sete anos, prazo que inclui a fase de avaliação, o desenvolvimento do campo e a instalação da infraestrutura offshore.

Margem Equatorial e futuro da produção brasileira

Para a presidente da estatal, a Margem Equatorial terá papel estratégico na reposição das reservas brasileiras, especialmente diante da expectativa de declínio do pré-sal a partir da próxima década.

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A partir de 2034, a expectativa é que o pré-sal comece a entrar em declínio. O que estamos vendo é a potencialidade da Margem Equatorial, em especial do Amapá, em poder recompor as reservas brasileiras e manter a produção do Brasil nos níveis que ela vai estar em 2034, o que nos torna candidatos a estar na sexta ou sétima posição de maior produtor de petróleo do mundo

A executiva reforçou que a exploração na região integra a estratégia da Petrobras para repor reservas de combustíveis fósseis e garantir o abastecimento do país durante o processo de transição para energias mais limpas.

Investimentos, impacto econômico e comparação com a Guiana

O plano da companhia prevê investimentos de cerca de R$ 13 bilhões em cinco anos na Margem Equatorial, com a perfuração de 15 poços até 2030. Previsões iniciais estimam cerca de 30 bilhões de barris de petróleo e gás na região.

Segundo a Petrobras, caso o projeto avance, a produção em águas profundas na costa do Amapá poderá gerar emprego, renda e aumento de arrecadação para estados e municípios da Margem Equatorial. Magda Chambriard lembrou que a vizinha Guiana multiplicou por cinco o Produto Interno Bruto em dez anos após iniciar a exploração de petróleo em águas profundas.

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De hoje a cerca de seis, sete anos, o estado do Amapá poderá sim estar produzindo petróleo e rendendo divisas para o país, para o próprio estado e emprego e renda tanto local quanto no resto do país

Ao mesmo tempo, especialistas apontam que a expansão da atividade na Margem Equatorial deve intensificar o debate sobre os riscos ambientais na Bacia da Foz do Amazonas e a necessidade de um licenciamento rigoroso. Até o momento, não houve manifestação pública do governo federal sobre os novos passos da exploração na região.

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