Retrospectiva 2025: Taxa de juros, tarifaço e PIX são destaques na economia
Em 2025 os brasileiros estiveram apreensivos em relação à economia tanto por fatores internos quanto externos
O ano foi marcado por mudanças na liderança do Banco Central, debates sobre a política de juros e importantes alterações na legislação tributária, além de polêmicas envolvendo e consolidação do sistema de pagamentos instantâneos PIX e investigações da PF no setor financeiro.
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O tarifaço de Donald Trump também trouxe problemas econômicos. Veja o que mais aconteceu na economia brasileira neste ano:
Galípolo no Banco Central
No dia 1º de janeiro, o economista e ex-secretário executivo do Ministério da Fazenda, Gabriel Galípolo, assumiu a presidência do Banco Central (BC), com a missão de enfrentar grandes desafios econômicos, como a necessidade de diminuir a taxa de juros (Selic) e manter o controle da inflação.
Galípolo, que antes atuava como diretor de Política Monetária do BC, foi sabatinado e teve sua indicação confirmada pelo Plenário do Senado em julho de 2023, após ser nomeado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva para um mandato de quatro anos.
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Selic
Apesar da expectativa de queda de juros no início de sua gestão, a Taxa Selic disparou, registrando um aumento e atingindo 15% ao ano, maior nível dos últimos 20 anos e não há sinais do BC sobre quando terão início os cortes de juros.
Em resposta à imprensa sobre a alta, o presidente Lula defendeu o novo presidente do BC, afirmando que a elevação “já estava praticamente demarcada” pela gestão anterior.
"O presidente do Banco Central não pode dar um ‘cavalo de pau’ num mar revolto de uma hora para outra. Já estava praticamente demarcada a necessidade da subida de juros, pelo outro presidente (Roberto Campos Neto), e o Galípolo fez aquilo que ele entendeu que deveria fazer", declarou o presidente.
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Tarifaço
O retorno de uma política comercial fortemente protecionista por parte do governo Donald Trump em 2025, implementada por meio de um "tarifaço", provocou ondas de choque e instabilidade nos mercados globais, redesenhando a política comercial americana e afetando parceiros comerciais como o Brasil.
O Brasil foi um dos países mais afetados, enfrentando uma tarifa geral mínima de 10% e, em um momento posterior, uma sobretaxa de até 50% para diversos produtos, com início de vigência a partir de 1º de agosto.
A imposição da tarifa de 50% gerou um corte drástico nas exportações brasileiras para os EUA, o segundo maior parceiro comercial do Brasil (atrás apenas da China). O aumento do custo inviabilizou a competitividade de diversos produtos no mercado americano.
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Produtos como café (o Brasil é o maior exportador para os EUA), carnes (especialmente bovina), frutas (manga, uva) e pescados enfrentaram o risco de perda de competitividade, afetando o planejamento de safra e a receita de grandes empresas (a Minerva, por exemplo, estimou um impacto potencial de até 5% em sua receita líquida).
A Confederação Nacional da Indústria (CNI) estimou a perda de 110 mil postos de trabalho no Brasil (sendo 40 mil na agropecuária e 26 mil na indústria) e perdas bilionárias no PIB de estados exportadores, como São Paulo.
Em novembro, veio o alívio: em lista divulgada pela Casa Branca, os EUA anunciaram a retirada da tarifa de importação de 40% sobre determinados produtos brasileiros.Trump afirmou que a decisão foi tomada após conversa por telefone com o presidente Lula;
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Pix
Uma nova regra da Receita Federal sobre transações via Pix, que começaria a valer em janeiro, foi revogada no mesmo mês. Na ocasião, a Receita planejava fiscalizar as transferências acima de R$ 5 mil para pessoas físicas e R$ 15 mil para pessoas jurídicas.
O cancelamento aconteceu dias depois da divulgação, depois de uma série de desinformações sobre o tema. A onda de fake news afirmava que a operação bancária seria taxada.
Para tentar rebater as notícias falsas, a Receita afirmou que o reforço na fiscalização reduziria a chance de o trabalhador cair na malha fina.
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Além disso, a Federação dos Bancos também emitiu uma nota para desmentir a onda de boatos sobre a taxação e monitoração do Pix, e afirmou que o sistema continua igual, gratuito e sem qualquer alteração para quem usa.
Além disso, o PIX se consolidou em 2025. Foram sucessivos recordes de movimentação no ano chegando no pico de 313,3 milhões de transferências no dia 05 de dezembro.
Imposto de Renda
A Câmara dos Deputados aprovou, em outubro deste ano, de forma unânime, o projeto que amplia a isenção do Imposto de Renda para pessoas que ganham até R$ 5 mil mensais, além de descontos para rendas que chegam até R$ 7,3 mil mensais. A medida passa a valer em 2026.
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Como medida de compensação fiscal, o projeto estabelece a criação de um imposto mínimo de até 10% sobre a alta renda, incidente sobre aqueles que ganham mais de R$ 50 mil.
A proposta foi rapidamente aprovada pelo Senado Federal em novembro e sancionada pelo presidente Lula no mesmo mês.
Banco Master
Em novembro, o presidente do Banco Master, Daniel Vorcaro, foi preso durante a operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal com o objetivo de combater a emissão de títulos de crédito falsos por instituições financeiras que integram o Sistema Financeiro Nacional.
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A operação é um desdobramento de investigações que tiveram início em 2024, depois da requisição do Ministério Público Federal, para investigar a possível fabricação de carteiras de crédito insubsistentes por uma instituição financeira.
De acordo com a PF, os títulos teriam sido vendidos a outros bancos e, após a fiscalização do Banco Central, substituídos por outros ativos sem avaliação técnica adequada. Daniel é investigado por suspeita de comandar fraudes que superam R$ 12 bilhões.
Ainda em novembro, o Tribunal Regional Federal da 1ª Região concedeu habeas corpus para Daniel Vorcaro e determinou que o presidente do Banco Master use tornozeleira eletrônica.
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Desemprego
No campo do mercado de trabalho, o país registrou um marco histórico. A taxa de desemprego no trimestre encerrado em julho deste ano ficou em 5,6%, o menor índice desde o início da série histórica, em 2012, representando uma queda em relação ao trimestre anterior, que registrou 5,8%, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
O país tinha, no fim de julho, 6,11 milhões de pessoas desocupadas, o menor número desde o último trimestre de 2013, que teve 6,1 milhões. Já o número de pessoas empregadas atingiu o recorde, de 102,4 milhões.
Previsão de crescimento de 2,5%
A Confederação Nacional da Indústria (CNI) estima que a economia brasileira fechará 2025 com um crescimento de 2,5%, uma alta discreta em relação aos 2,4% projetados pela instituição ao fim do ano passado. Ao contrário de 2024, em que a alta do PIB se deveu à indústria e ao setor de serviços, neste ano o crescimento vem a reboque do agronegócio.
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