Entenda como escola no sertão do Pernambuco tirou nota 9,8 no Ideb
Fundadora da ONG Amigos do Bem detalha no Canal Livre método focado no acolhimento social antes do ensino de disciplinas tradicionais
A empresária e filantropa Alcione Albanesi, fundadora da ONG Amigos do Bem, explicou durante participação no programa Canal Livre, que vai ao ar neste domingo, como a compreensão da realidade das famílias impulsionou o desempenho educacional no interior nordestino.
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Ao analisar o histórico que levou uma unidade de ensino no município de Inajá, sertão do Pernambuco, a sair do índice de 2,5 a 9,8 no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), a dirigente ressaltou a prioridade dada ao diagnóstico individual e emocional dos alunos antes da introdução dos conteúdos curriculares.
De acordo com Alcione, o suporte socioemocional representa a base do aprendizado: “Primeiro, você tem que olhar a criança. Eu digo antes do português e da matemática, da ciência, da história. Olha a criança, entenda a criança. Nós sabemos que cada um de nós temos uma vida, imagina que uma criança também, não é exceção disso. Elas vêm de famílias, de agressividade, pais que bebem muitas vezes, abuso. Quando você chega numa casa de barro, que você vê uma casa de barro, uma cama, com cinco crianças em cima, o pai e a mãe, O único lugar, o único cômodo da casa. Não tem nem banheiro”, contou.
"Aí você imagina como é que essa criança se forma? O que ela assiste? Será que ela assiste a relação sexual dos pais? Como é que isso? Então você tem que entender a criança. A primeira coisa, nós entendemos a criança, a família, e aí nós começamos a falar de educação. Aí nós identificamos a criança que tem o pai que bebe, a criança que tem agressividade, você começa a tratar a criança diferente e estimulá-la naquilo que nós reconhecemos que vai ajudá-la", disse.
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Estrutura digna e combate ao atraso escolar
Além do acompanhamento psicossocial, a filantropa destacou que o avanço nos estudos depende de condições básicas de infraestrutura, incluindo acesso a moradia segura e abastecimento contínuo de água. ALcione também apontou a superação de modelos com salas multisseriadas e a entrega de polos estruturados como passos decisivos para erradicar o analfabetismo na região:
“A criança, ela tem vergonha de morar numa casa de barro. E não é só a vergonha da criança. Você entra numa casa de barro, toda furadinha, sem banheiro. Um endereço digno para morar é o mínimo. Uma casa, você não precisa ter nada, mas simplesmente ter uma parede de abrigo. Agora mesmo teve uma época de muita chuva, de mudança climática. Nós tivemos que imediatamente comprar lona para poder cobrir as casas. Foi quase uma carreta de lona para poder espalhar nas casas de Taipa, que estavam caindo pela chuva”, afirmou.
A fundadora da Amigos do Bem disse ser quase impossível evoluir no aprendizado em um ambiente sem condições básicas de sobrevivência. “As crianças saem analfabetas, não sabem, não tem como. Como é que você traz, numa estrutura dessa, uma mudança?”, perguntou Alcione. “Nós vamos com coragem e com muitos problemas. A gente vence muitos problemas. Às vezes eles vêm para te vencer. Mas aí lembramos da nossa força. Vocês imaginam ao longo desses 33 anos, quantos problemas, quantas pedras no caminho, quantas noites escuras nós já passamos? Só que nós não desistimos. Tem então essa força que eu falo de não desistir”.
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O Canal Livre deste domingo tem como entrevistadores os jornalistas Fernando Mitre, Olívia Freitas e Andressa Guaraná. A apresentação é de Rodolfo Schneider. O programa vai ao ar domingo (16), às 20h na BandNews TV e, mais tarde, depois do ‘Som dos Oceanos’, na tela da Band.
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