Por que estados com maior renda não lideram a educação?
Com um dos menores PIB per capita do país, município cearense mantém nota máxima no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica pela segunda vez consecutiva
Os dados do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) revelam uma realidade que desafia o senso comum: ter um grande orçamento não garante, necessariamente, um ensino de qualidade. O maior exemplo dessa relação entre eficiência e compromisso público vem de Pires Ferreira, no Ceará. Mesmo estando entre os 100 municípios com menor PIB per capita do Brasil, a cidade conquistou nota 10 nos anos iniciais do ensino fundamental (1º ao 5º ano) — e foi a única do país a manter a pontuação máxima por duas avaliações consecutivas.
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O desempenho de Pires Ferreira contrasta com o de regiões mais abastadas e comprova que a evolução do ensino depende prioritariamente de planejamento pedagógico, continuidade de políticas públicas e forte empenho da gestão escolar, e não apenas do volume de verbas disponíveis.
Nordeste domina topo do ranking do Ideb
No ensino fundamental municipal, oito cidades brasileiras atingiram a nota máxima no índice, que avalia o rendimento em Português e Matemática, somado às taxas de aprovação e combate ao abandono escolar. Todas as oito representantes estão localizadas na Região Nordeste: cinco no Ceará e três em Alagoas.
Segundo a secretária de Educação de Pires Ferreira, Rosa Matías, o diferencial está no mapeamento individualizado dos estudantes e na estrutura oferecida às famílias, com formação continuada de docentes e ampliação da rede de apoio escolar.
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No cenário estadual, o Paraná lidera nas três etapas de ensino. Contudo, estados nordestinos como Ceará e Piauí ocupam as segundas colocações no ensino fundamental e médio, respectivamente. Especialistas apontam que a expansão das escolas em tempo integral, o investimento contínuo na capacitação dos professores e o regime de colaboração entre estado e municípios são os pilares que sustentam esses resultados ao longo das sucessivas trocas de governo.
Ricos com avanços modestos e recuos
Em contrapartida, estados com maior capacidade financeira apresentaram resultados tímidos no indicador. São Paulo, o estado mais rico da Federação, registrou um avanço discreto de apenas 0,1 ponto percentual no ensino médio, permanecendo estagnado na média nacional.
Já o Distrito Federal, detentor do maior PIB per capita do país, foi a única unidade federativa a apresentar queda (-0,1 ponto percentual) na mesma etapa de ensino.
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Modelos de transformação no Sertão
A combinação de foco pedagógico e acompanhamento próximo também transforma a realidade do interior de Pernambuco. Em Inajá, no Sertão, alunos da rede mantida pela ONG Amigos do Bem percorrem dezenas de quilômetros em estradas de terra até a escola em tempo integral. Com quatro refeições diárias, busca ativa contra a evasão e acompanhamento individualizado, a instituição mais que dobrou sua pontuação, alcançando nota 9,8 no Ideb.
O contraste entre cidades de baixa renda com notas exemplares e capitais ricas com desempenho estagnado reforça que o sucesso da educação pública exige mais do que repasse de verbas: cobra responsabilidade, boa gestão e prioridade política.
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