Entre trabalho e estudos, médico supera dificuldades para cursar medicina
Há quem diga que na vida não se constrói nada sozinho. Aos 36 anos, o médico Karan da Silva Gomes olha para a medicina como resultado de uma trajetória que

Há quem diga que na vida não se constrói nada sozinho. Aos 36 anos, o médico Karan da Silva Gomes olha para a medicina como resultado de uma trajetória que também contou com a parceria da esposa, Rita de Cássia.
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O caminho até o diploma passou por decisões que estavam longe dos planos. Para estudar, Gomes deixou o Brasil ao lado da esposa e enfrentou uma rotina que combinava aulas, trabalho e preocupação com as despesas da família.
“Medicina sempre representou para mim mais do que uma carreira, mas, sim, uma oportunidade de cuidar de pessoas e oferecer ajuda em momentos de fragilidade”, conta.
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Uma mudança em busca do sonho
Gomes lembra que deixar o país em busca do sonho foi difícil. O casal enfrentou dificuldades financeiras e encontrou diferentes formas de manter os estudos, entre elas, a venda de sanduíches. Rita também trabalhou como enfermeira no cuidado de um paciente para contribuir com a formação do marido.
“Venho de uma realidade em que conquistar determinados sonhos exigia muito esforço. Quando decidi seguir o caminho da medicina, sabia que seria uma trajetória longa, cara e cheia de desafios”, comenta.
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Mesmo diante das dificuldades, Gomes preferiu enfrentar o caminho a passar a vida pensando em como teria sido se tivesse tentado. Para ele, alguns sonhos parecem distantes quando vistos de longe, mas se tornam possíveis quando enfrentados passo a passo. “Quando começamos a caminhar, conseguimos vencer uma etapa de cada vez”, resume.
Não existia uma vida confortável, existia um objetivo
Durante a graduação, Gomes conciliou os estudos com atividades na universidade. Criou as ligas de Anatomia e Microbiologia, atuou como monitor de diferentes disciplinas e trabalhou no atendimento a estudantes brasileiros.
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A família também cresceu nesse período. O filho, Bento Gomes, nasceu enquanto ele estudava, e a rotina passou a exigir que dividisse o tempo entre a formação acadêmica e o sustento da família.

Ao lado de Rita e Bento, Karan reconhece que a conquista também é fruto da parceria com a família I Crédito: Arquivo pessoal
Ainda assim, manteve o desempenho nos estudos. Durante quatro anos, esteve no quadro de honra da universidade e, segundo seu relato, concluiu o curso com a melhor nota de medicina da instituição. Também recebeu bolsa de estudos e a distinção Magna Cum Laude, concedida a estudantes com desempenho acadêmico excepcional.
Durante a pandemia, retornou ao Brasil e realizou estágio na Santa Casa de Jacareí para manter a prática. Depois, recebeu o convite para trabalhar como auxiliar de um urologista, experiência que durou quatro anos e contribuiu para o sustento da família e para sua aproximação com a área.
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Depois do diploma, outro desafio
A conclusão da faculdade não encerrou a trajetória. Para exercer a medicina no Brasil, Gomes precisou passar pelo processo de revalidação do diploma e se preparar para o Revalida.
A etapa trouxe novamente pressão e insegurança. Ele conta que conseguiu ser aprovado e agora avança no processo de validação do diploma. Para ele, a conquista está entre os momentos mais importantes da vida, ao lado do casamento e do nascimento do filho.
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Gomes também destaca o apoio da esposa durante a trajetória. “Quando você está tentando realizar um sonho tão grande, ter alguém que acredita em você mesmo quando você começa a duvidar de si próprio faz uma diferença enorme”, avalia.
Para o médico, receber o diploma significou mais do que concluir uma faculdade. “A medicina ensina conhecimento técnico, mas também responsabilidade, humildade e humanidade."
Segundo Gomes, o futuro médico precisa compreender a dimensão humana da profissão. “Quero ouvir os pacientes, chamá-los pelo nome, olhar nos olhos e explicar o que está acontecendo”, diz.
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Depois de uma trajetória marcada por obstáculos, Gomes pretende continuar estudando e construir uma carreira sólida. Para ele, a principal lição para quem deseja seguir o caminho da medicina é não confundir dificuldade com impossibilidade.
“Não tenha medo do tamanho do sonho. Tenha respeito pelo caminho, porque ele será difícil, mas o resultado positivo chega”, aconselha.
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