Para Gabriel, ser médico começa muito antes do diploma
Aos 25 anos, estudante de medicina conta como sua experiência de começar a graduação em outro país transformou a maneira de enxergar a profissão

A vontade de ajudar pessoas levou Gabriel Paulo Oliveira Lima, 25, à medicina e fez com que sua trajetória acadêmica atravessasse fronteiras. Natural de Ipatinga e criado em Timóteo, no interior de Minas Gerais, o estudante começou a graduação na Argentina, viveu os desafios de estudar em outro país e, anos depois, decidiu voltar ao Brasil para continuar a formação médica.
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Hoje, no 6º período de medicina da Unibh Vespasiano, em Belo Horizonte, Gabriel considera que o percurso pouco convencional ajudou a construir o profissional que deseja ser: alguém capaz de ouvir, investigar e enxergar o paciente para além da doença.
Essa formação também carrega valores aprendidos em casa, especialmente a humanidade e a compaixão ensinadas há muito tempo por sua mãe, que tiveram papel essencial na construção da pessoa e do profissional que ele deseja ser.
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A escolha pela medicina
A decisão de seguir a carreira médica começou a ganhar forma ainda no ensino médio. Gabriel lembra que os professores de Biologia tiveram papel importante nesse processo. “Eles tinham um dom raro. Instigavam a gente a querer mais, a ir além do livro”, conta.
Segundo ele, as aulas eram “vivas e provocativas” e despertaram a curiosidade por entender como as coisas funcionavam. A experiência ajudou a transformar o interesse pela área no desejo de se tornar médico. Em 2018, Gabriel prestou vestibular e tomou uma decisão que mudaria o rumo da sua formação. Deixou o Brasil para estudar Medicina na Argentina.
“Embarquei para a Argentina, onde ingressei em uma faculdade de medicina particular e permaneci de 2019 a 2024. Foram aproximadamente quatro anos e meio de formação intensa, em um sistema completamente diferente do brasileiro e que me deu uma base sólida e concreta do que é a medicina”, afirma.
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Uma formação em outro país
A experiência na Argentina trouxe não apenas a adaptação a um novo sistema de ensino, mas também uma maneira diferente de estudar e de pensar a medicina. Gabriel conta que grande parte das avaliações era feita de forma oral e que os professores podiam escolher os temas no momento da prova. Nesse modelo, segundo ele, não bastava memorizar conteúdos. Era necessário compreender os assuntos e saber articulá-los sob pressão.
A dinâmica contribuiu para que desenvolvesse o raciocínio clínico desde os primeiros anos da graduação e aprendesse a organizar o conhecimento para utilizá-lo em situações de pressão. Para Gabriel, essa experiência foi determinante para sua formação. “Estudar na Argentina moldou a minha forma de pensar medicina”, resume.
Mas a experiência de viver fora do país também trouxe desafios que iam além da sala de aula. A adaptação à cultura, à alimentação e à rotina de outro país veio acompanhada da necessidade de lidar com a distância da família e com a solidão.
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Depois de passar por uma fase depressiva, Gabriel decidiu que era hora de mudar novamente os rumos da própria formação. Em 2024, ele voltou ao Brasil. No ano seguinte, prestou vestibular e ingressou na Unibh Vespasiano, em Belo Horizonte.
A escolha da instituição, segundo Gabriel, foi feita a partir de critérios que iam além da qualidade do ensino. O contato com os pacientes e a disponibilidade dos professores para ensinar também pesaram na decisão.
“Me sinto feliz com a escolha da instituição de ensino. Aqui no Brasil me sinto apoiado e orientado. A Medicina aqui é muito mais humana e mais exigente do que qualquer expectativa consegue capturar”, afirma.
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Gabriel Lima I Arquivo pessoal
O retorno não representou apenas uma mudança geográfica. Para Gabriel, foi também uma oportunidade de recomeçar a graduação a partir das experiências acumuladas nos anos anteriores.
Uma jornada sem romantização
Ainda sem uma especialidade definida, Gabriel acredita que a escolha da área de atuação pode esperar. Antes de decidir onde pretende trabalhar, ele considera mais importante saber que tipo de profissional deseja ser.
“Me vejo como um médico que ouve, investiga e trata a pessoa, não apenas a doença”, afirma.
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A trajetória entre dois países também deixou uma lição que ele considera essencial para a profissão. A formação médica não precisa seguir um único caminho.
Para Gabriel, enfrentar mudanças, recomeços e diferentes formas de aprendizado exigiu resiliência, uma característica que considera fundamental para quem pretende exercer a medicina.
“Aprendi que o caminho para a medicina não é linear, e que isso não é um problema. Pelo contrário, às vezes é exatamente o que forma o médico que o mundo precisa”, avalia.
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A experiência também mudou a maneira como Gabriel enxerga os desafios enfrentados por quem escolhe a carreira médica. Para ele, é importante que os estudantes não romantizem a jornada.
“É difícil, é longa e vai te cobrar em momentos em que você já não tem muito a oferecer. Mas, se a sua motivação for genuína, se você realmente quiser cuidar de gente, você vai encontrar força onde achou que não tinha mais”, aconselha.
Durante a formação, Gabriel também aprendeu a lidar com a própria ansiedade. Segundo ele, quando direcionada, ela pode se transformar em combustível para seguir adiante.
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“Sou uma pessoa ansiosa por natureza. Antes de uma prova importante, minha cabeça percorre todos os cenários possíveis. No entanto, o que me ancora nesses momentos de pressão é pensar nas pessoas que quero ajudar com a minha profissão. Quando penso nisso, tudo ganha sentido novamente”, conta.
A experiência, para ele, mostra que a formação médica começa muito antes da entrega do diploma. “A medicina não muda só o seu currículo. Ela muda sua forma de ver o mundo, as pessoas, a dor, a vida”, diz.
Para Gabriel, essa transformação acontece ainda durante a graduação. É um processo que pode exigir sacrifícios, provocar mudanças e, muitas vezes, doer. Mas também é o que, em sua visão, prepara o futuro médico para estar ao lado de quem mais precisa.
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Além da graduação, Gabriel também encontrou uma forma de compartilhar com outros estudantes aquilo que aprendeu ao longo da própria trajetória. No perfil Estude com Dallas, ele produz conteúdos voltados principalmente para quem está no início da formação na área da saúde, com dicas e métodos de estudo baseados em sua experiência.
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