Quero estudar medicina

Por muito tempo, a medicina parecia distante; conheça a história de Aimê

Estudante enfrentou dificuldades financeiras e inseguranças até conquistar uma vaga em medicina e iniciar a graduação no Pará

5 min

15/08/2026 11:00 • Atualizado há 16 dias

Por muito tempo, a medicina parecia distante; conheça a história de Aimê

Durante muito tempo, cursar medicina pareceu um sonho distante para Aimê Cecília de Moura Brito, de 19 anos. Nascida e criada em Breu Branco, no Pará, ela não conseguia imaginar como transformaria o desejo de ser médica em realidade. Hoje, no quinto semestre da Faculdade Una de Tucuruí, a estudante olha para a trajetória e reconhece que o maior desafio não foi apenas passar no vestibular, mas aprender a acreditar que era capaz.

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O interesse pela medicina ganhou força no terceiro ano do ensino médio, durante uma visita escolar a uma faculdade. Conhecer o ambiente e conversar com outras pessoas fez com que Aimê saísse dali com uma certeza que ainda não tinha: queria seguir aquela profissão.

A decisão, porém, veio acompanhada de dúvidas. “Por muito tempo, pareceu muito distante”, conta. Ela chegou a considerar outros cursos por acreditar que seriam mais acessíveis à realidade da família. No fundo, porém, sabia que estaria escolhendo outro caminho mais pelo medo do que pela vontade.

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A preparação para o vestibular exigiu mudanças na rotina

Aimê conciliava a escola com os estudos, fazia longos deslocamentos de transporte público e precisou abrir mão de momentos de lazer. O Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM) já fazia parte da trajetória desde o nono ano, quando participou como treineira. Para conseguir a aprovação em medicina, foram duas tentativas: em 2023 e 2024.

Durante a preparação, a estudante percebeu que estudar mais não significava necessariamente aprender melhor. Ela deixou de priorizar apenas a memorização e passou a utilizar estratégias como revisão ativa, flashcards, mapas mentais e um caderno de erros. Também fazia simulados a cada 15 dias para identificar os conteúdos em que precisava melhorar. A rotina chegava a seis horas de estudo ativo por dia.

A mudança de estratégia foi importante para superar um dos principais obstáculos: a própria insegurança. “O maior desafio foi vencer a minha própria mente”, afirma. Mesmo nos períodos de cansaço e frustração, decidiu continuar.

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Um sonho que virou esforço de toda a família I Crédito: Arquivo pessoal

Um sonho que virou esforço de toda a família I Crédito: Arquivo pessoal

A aprovação em medicina também exigiu uma mobilização familiar. No início, os pais ficaram preocupados com os custos da graduação e com a possibilidade de a filha precisar morar em outra cidade. A família não tinha condições financeiras para arcar com a formação, mas decidiu fazer os sacrifícios necessários para que Aimê pudesse continuar.

Para viabilizar o curso, a família recorreu a um financiamento bancário. A estratégia permitiu pagar parte dos custos durante a graduação e deixar o restante para depois da formação. O irmão mais novo, Davi, também participou do processo, que a estudante define como um esforço coletivo.

Quando tudo começou a se alinhar, a conquista deixou de ser apenas minha. Passou a ser nossa. Aimê Brito

A aprovação, em 2024, foi acompanhada de ansiedade e, depois, de incredulidade. Aimê passou o dia aguardando o resultado, trocando mensagens com professores e coordenadores. Quando recebeu a confirmação, chorou. Depois, preparou uma surpresa para os pais, que chegaram do trabalho e encontraram a filha comemorando a conquista. A ficha, segundo ela, só caiu de verdade quando vestiu o primeiro jaleco.

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Da aprovação à realidade da medicina

O ingresso na faculdade trouxe o desafio de se adaptar ao ritmo da graduação. A rotina passou a exigir organização e disciplina para conciliar diferentes demandas. Aimê conta que escolheu a Una Tucuruí, onde integra a primeira turma de medicina, depois de se identificar com a instituição durante uma visita. “A estrutura, a tecnologia e, principalmente, a sensação de pertencimento contribuíram para a minha decisão”, pontua.

Na graduação, algumas experiências ajudaram a transformar a imagem que tinha da profissão. Entre elas estão o primeiro atendimento a um paciente simulado e uma experiência em uma Unidade Básica de Saúde, auxiliando na sala de curativos. O contato com crianças e idosos e o retorno recebido dos pacientes reforçaram a percepção de que a medicina poderia ser uma forma concreta de ajudar outras pessoas.

Aimê Brito I Crédito Arquivo pessoal

Aimê Brito I Crédito Arquivo pessoal

Ao mesmo tempo, a estudante descobriu que a profissão é mais complexa do que imaginava. Além do conhecimento técnico, existem responsabilidades e desafios que fazem parte da formação médica. Para ela, quanto mais aprende, mais percebe o quanto ainda precisa estudar.

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A pressão também é uma realidade. Aimê conta que enfrentou um período de instabilidade emocional no semestre passado e precisou reconhecer que precisava de ajuda. Buscar apoio e respeitar os próprios limites fizeram parte desse processo de amadurecimento.

Hoje, ela tenta não transformar a cobrança por desempenho em uma medida do próprio valor. “Eu não preciso ser a melhor da sala, mas preciso ser muito melhor do que eu era ontem”, avalia.

O sonho de cuidar sem perder a própria identidade

Ainda sem uma especialidade definida, Aimê se interessa por Clínica Médica, Medicina de Família e Comunidade e Ginecologia e Obstetrícia. Ela pretende continuar conhecendo diferentes áreas antes de decidir qual caminho seguir.

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Independentemente da especialidade, Aimê sabe que tipo de médica deseja ser. “Pretendo ser uma profissional preparada, mas capaz de enxergar a pessoa por trás do paciente”, diz.

Aimê acredita que quem sonha em cursar medicina não pode deixar que as dificuldades ou as inseguranças definam até onde é possível chegar. A estudante também defende que o apoio da família, dos amigos e dos professores pode fazer diferença durante uma trajetória marcada por cobranças e desafios. “Não importa de onde você vem ou quantas vezes precisou tentar, se esse é o seu sonho, vale a pena lutar por ele”, afirma.

Para Aimê, entretanto, realizar o sonho de ser médica não significa deixar de lado quem ela é. Antes de chegar à profissão, quer continuar sendo filha, irmã, amiga e, acima de tudo, uma pessoa. É nessa combinação entre formação, propósito e humanidade que ela pretende construir o futuro na carreira médica.

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