João Vithor Oliveira ressignifica ofício de ator em peça inspirada no tio
Montagem parte de carta deixada pelo dramaturgo Domingos de Oliveira com reflexões sobre o trabalho nos tablados e o amadurecimento artístico.

O ator João Vithor Oliveira retorna aos palcos com uma reflexão direta sobre a própria trajetória e o ofício da representação. O espetáculo “Carta a um Jovem Ator”, em cartaz no Teatro Municipal Domingos Oliveira, no Rio de Janeiro, nasceu a partir de uma carta deixada pelo tio-avô, o dramaturgo Domingos de Oliveira, e marca a volta do artista ao teatro após um hiato iniciado antes do período pandêmico.
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A montagem surgiu como um experimento de cena. Ao lado do diretor Tiago Herz, o ator adaptou o texto para avaliar as próprias transformações internas e observar como uma plateia contemporânea reagiria ao material.
Conforme aponta o artista, a busca por independência e voz própria orienta o momento presente nos tablados. "Neste caso, o projeto me permite realizar meu próprio sonho e expressar minhas palavras, minha perspectiva de vida, de morte e da própria vivência teatral", declara Oliveira em entrevista ao Band.com.br.
Em sete anos muita coisa muda, então foi uma tentativa de entender o que tinha se transformado em mim e também como o público receberia o texto hoje.
Da infância aos palcos
A inserção no mercado aconteceu ainda na infância, aos sete anos de idade. O artista explica que o início precoce ocorreu por diversão e necessidade de ajudar no orçamento doméstico, impulsionado pelo perfil físico e pela habilidade com a bola de futebol.
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Com o passar dos anos, o trabalho inicial transformou-se em decisão profissional consciente. O ator relata que precisou construir identidades cênicas antes mesmo de consolidar a própria individualidade, o que o levou a cursar Artes Cênicas e a se emancipar aos 17 anos para se aprofundar nos estudos dramáticos.
"Costumo dizer, meio em tom de terapia, que antes de me entender como indivíduo, eu me entendi como personagem", avalia o ator, ao destacar que as horas de estúdio acumuladas na juventude serviram de alicerce técnico para a maturidade atual.
Carta de Domingos Oliveira e autoficção

A concepção da peça tem base em uma carta contida no livro Minha Vida no Teatro. O documento reúne conselhos de vida formulados por Domingos Oliveira ao completar 72 anos, durante homenagem recebida no Teatro Maria Clara Machado, no Tablado.
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Em vez de mimetizar a figura do dramaturgo consagrado, a montagem optou por estabelecer um diálogo geracional autoral. Segundo o ator, trata-se de uma autoficção focada na jornada de um jovem profissional em busca de conexão e diálogo com a memória do parente.
Na visão de João Vithor Oliveira, a experiência em um monólogo intensifica a troca com o público e renova o significado da herança familiar. "O teatro é o espaço para reinventar o mundo, não apenas para reproduzi-lo. Aproveitamos o palco para experimentar o que gostaríamos que tivesse sido e entender o que realmente é", resume.
Formação prática e orientação profissional
Ao avaliar os desafios da carreira para quem deseja ingressar na atuação, o artista destaca a necessidade do contato presencial com a cena. Ele reforça que o mais importante é o estudo constante e a frequência às salas de espetáculo como base de formação.
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"Honestamente, eu diria: vá ao teatro. Vá ver peças, estude, leia o máximo que puder, alimente suas paixões artísticas e saiba em quem se inspirar. Acima de tudo, aja. O consumo passivo de vídeos e séries no celular nos afasta da prática e do atrito necessários à profissão", afirma o ator.
Serviço
- Espetáculo: Carta a um Jovem Ator
- Temporada: De 21 a 30 de agosto
- Horários: Sextas e sábados, às 20h; domingos, às 19h
- Local: Teatro Municipal Domingos Oliveira
- Endereço: Rua Padre Leonel Franca, 240 – Gávea, Rio de Janeiro (RJ)
- Classificação indicativa: 12 anos
- Vendas e ingressos: Plataforma Sympla Bileto
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