TV Globinho acabou por causa de Fátima Bernardes? Saiba o que rolou
Apresentadora sugeriu mudança na grade, mas regras comerciais e nova audiência decretaram o encerramento do infantil

A TV Globo exibiu uma edição especial da TV Globinho por um único dia, neste sábado (10), durante a campanha do Criança Esperança. Geovanna Tominaga, Letícia Colin, Ícaro Silva e Paulo Mathias Jr, que fizeram parte da história do programa, se reencontraram para a edição. Mas vem cá, você sabe porque o programa acabou?
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Fátima Bernardes foi eleita culpada. Mas será que é verdade? De fato, a jornalista sugeriu à direção do canal a substituição dos desenhos por uma atração direcionada aos adultos após avaliar a programação matinal. Em entrevista ao programa Roda Viva, da TV Cultura, em 2022, a comunicadora explicou a leitura da grade: "Comecei a olhar a grade da Globo. Tinha Globo Rural, jornal local, Bom Dia Brasil, Ana Maria Braga [Mais Você], de repente, desenho, jornal local, Globo Esporte e Jornal Hoje. Falei: 'gente, esse desenho tá perdido nesse meio'".
A apresentadora afirmou ainda que o Encontro com Fátima Bernardes nasceu dessa percepção. Conforme explicou na ocasião, as crianças enfrentavam dificuldades para acompanhar os episódios que começavam no meio da manhã sem um aviso prévio na transmissão.
Em participação no podcast PodPah, em 2024, a jornalista rejeitou a responsabilidade direta pelo cancelamento definitivo do programa. "As pessoas realmente acham que eu tenho poder na programação da TV Globo", declarou ao contestar a versão de foi ela quem determinou o encerramento da faixa infantil.
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Mudança gradativa na programação
O encerramento das transmissões ocorreu em etapas ao longo dos anos. Em 2012, a TV Globinho saiu da escala de exibições diárias para abrir espaço à estreia do Encontro com Fátima Bernardes.
A produção infantil permaneceu no ar apenas aos sábados até agosto de 2015. A atração deixou de ser exibida definitivamente quando a emissora lançou o programa É de Casa para preencher a manhã de sábado com foco nos espectadores adultos.
A extinção do infantil atendeu a fatores de mercado e faturamento publicitário. O Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente (Conanda) aprovou, em 2014, a Resolução nº 163, norma que vetou a veiculação de anúncios voltados aos menores de idade para impedir a persuasão voltada ao consumo. Sem peças comerciais direcionadas a crianças, o produto perdeu a rentabilidade financeira.
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A concorrência com outros canais abertos e mídias digitais também pesou na decisão. Emissoras como o SBT e a TV Cultura já lideravam a audiência matutina infantil, enquanto o crescimento da televisão por assinatura e da internet reduziu o interesse das crianças pela grade convencional.
Em entrevista ao canal do influenciador digital Felipe Neto no YouTube, a comunicadora avaliou a reestruturação das manhãs: "Quem dera eu tivesse esse poder (de encerrar a TV Globinho). Não foi um erro, foi um acerto. Comercialmente. Você não pode fazer anúncio em horário infantil. Quando me perguntam se fui eu: 'não fui eu'".
Na mesma entrevista, a jornalista defendeu que o canal precisava de uma sequência uniforme: "A minha ideia era que tivesse uma programação mais conectada, e, como outras emissoras já passavam desenho o dia inteiro, quem queria ver desenho assistia às outras emissoras desde a manhã. E a Globo estava com Globo Rural, noticiário local, Bom Dia Brasil, Ana Maria Braga e... desenhos. Tinha espaço ali para mim. Eu, quando apresentei meu projeto, falei: 'acho que tem um espaço por aqui, na manhã'".
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