Empresário, ídolo do Flamengo descobriu lateral da Seleção em 1 minuto
Sávio também recordou bastidores do “Ataque dos Sonhos” do Flamengo

Sávio surgiu para o futebol nas categorias de base do Flamengo e desbravou o mundo da bola, com direito ao tricampeonato da Liga dos Campeões da Europa pelo Real Madrid. Mas foi em um de seus primeiros contratos com o Rubro-Negro que o “Anjo Loiro da Gávea” pegou gosto por aquilo que viria a se tornar sua profissão depois da aposentadoria dos gramados.
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Diferentemente de quando entortava zagueiros adversários, atualmente o ex-jogador trabalha com reuniões e idas para escritórios em sua nova vida: a de empresário. Aos 52 anos, ele se divide em três frentes, como o próprio explica: agenciamento de atletas, investimentos imobiliários e mercado financeiro.
“Quando tive minha primeira renovação, o Flamengo me deu um apartamento de luvas. Foi quando comecei a ter o gostinho do mercado imobiliário. Depois da minha ida para o Real Madrid, com a transação, isso intensificou um pouco mais e aí comecei a descobrir um pouco o mercado imobiliário. Fui descobrindo e potencializando essa questão do investimento imobiliário”, conta em entrevista à Band.com.br.
Apesar de ter direcionado o foco aos negócios apenas após a aposentadoria, Sávio já dava os primeiros passos de suas empresas durante a carreira: “Antes da minha parada, já vim me preparando para esse lado empresarial. Na verdade, eu já tinha empresas mesmo quando jogava. Mas claro que era muito difícil, porque era uma agenda bem complicada, de viagens, concentrações, jogos, treinos. Depois da minha aposentadoria, voltei 100% para o lado empresarial”.
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Mesmo com as diferentes frentes, o ex-atacante, obviamente, não consegue abandonar o futebol. No portfólio de sua empresa de agenciamento esportivo, há a participação da ida de Filipe Luís do Atlético de Madrid para o Flamengo e, com maior destaque, o acompanhamento da carreira do lateral Wesley, parceria que só foi rompida com o atleta já na Roma, da Itália.
A descoberta do hoje lateral da Seleção Brasileira, inclusive, aconteceu de maneira rápida. Sávio recebeu um vídeo curto com lances do ainda garoto que jogava pelo Tubarão, de Santa Catarina, e percebeu que havia algo de diferente.
“Um vídeo bem rápido com o campo de uma certa forma ruim. Nesse um minuto, vi o potencial que tinha o jogador, 17 anos. Aquele um minuto foi rápido, mas chamou uma certa atenção e comentei com meu sócio para entrar em contato com o Flamengo. Ele enviou o vídeo e, na mesma hora, já tivemos a resposta para ele fazer a avaliação dentro do clube. Ele ficou uma, duas, três, quatro semanas e foi crescendo até que o Flamengo decidiu por ficar com o atleta e preparar um contrato profissional”, recorda.
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Apesar da correria da vida de empresário, o ex-atacante sabe bem que não se compara à rotina que levava quando jogador. Sem hesitar, ele vê o tempo com a família como maior diferencial entre as duas carreiras.
“Quando era jogador, eu tinha que estar voltado 100% para a minha profissão. O tempo de folga era praticamente nulo. Final de semana era praticamente impossível. Hoje a minha vida é corrida de muitas viagens, mas eu consigo equilibrar bem em alguns pontos, principalmente o ponto do final de semana. Mas sou muito do trabalho, não paro. Hoje tenho bastante tempo com a família”, destaca.

O passado com Flamengo e Real Madrid
Em meio aos novos compromissos, Sávio não esquece dos momentos que viveu como jogador de futebol. Uma das passagens marcantes de sua carreira foi quando formou o “Ataque dos Sonhos”, ao lado de Romário e Edmundo no centenário do Flamengo.
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Apesar de todo o alvoroço pela formação, o trio disputou apenas 12 partidas juntos, com três vitórias, cinco empates e quatro derrotas. O ex-atacante, é claro, reconhece os problemas que viveu em meio aos outros dois craques.
“Eu era totalmente diferente dos dois fora de campo. Eram dois jogadores extraordinários, tecnicamente falando principalmente, mas fora de campo eu pensava totalmente diferente do que eles pensavam e do que eles viam na carreira. Sempre fui uma pessoa muito tranquila, muito família, muito na minha. Era um relacionamento normal, me tratavam bem e vice-versa. Mas é claro, não tinha nenhuma amizade, vamos dizer, além do campo”, detalha.
Uma dessas partidas foi contra o Bahia na Fonte Nova. Após abrir 2 a 0 no primeiro tempo, o Flamengo começou a ser pressionando e viu o Tricolor de Aço diminuir o placar. Foi, então, que um aviso de Sávio a Romário iniciou mais uma das confusões do trio.
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“Lembro que cheguei pro Romário e disse para ele falar para o Apolinho tirar um de nós três pra reforçar o meio de campo, senão a gente ia perder o jogo. Ele concordou, minutos depois veio a placa com o número 7, do Edmundo. Imagina o Edmundo vendo a placa número 7. Foi uma loucura aquilo ali, era uma doideira. Ele não saiu e, como eu falei com ele, ele não me tirou. No final, o Bahia empatou o jogo. Imagina a confusão. Os dois jogavam demais, mas não deu química”, recorda.
Se recorda com bom-humor o “Ataque dos Sonhos”, Sávio acumula conquistas ao longo da carreira. Sua sala de troféus conta com a Liga dos Campeões (97/98, 99/00 e 01/02), Intercontinental (1998), LaLiga (2000/01), Supercopa da Uefa (2002), Brasileirão (1992), Campeonato Carioca (1996) e Copa do Brasil (2006).
Todos esses feitos também deixam o ex-atacante com propriedade para analisar o futebol atual. Questionado, ele não fica em cima do muro e sabe bem qual é a maior diferença para sua época: o nível técnico.
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“O futebol se tornou algo muito mais físico, o atleta corre mais. Não que não era tático na minha época, mas acho que ele ficou muito mais tático também. A gente já tem uma conexão maior com o futebol sul-americano e europeu. Antigamente era muito difícil, quando passava um jogo ao vivo, eram jogos pontuais. Acho que tecnicamente caiu, principalmente voltado ao futebol brasileiro. Antes a gente via um futebol muito mais criativo, de mais qualidade técnica, muito mais drible, um contra um”, completa.
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