Infantino pede desculpas por projeto de vender ações da Copa, mas é cobrado
Presidente da Fifa ainda ouviu que "não está apto" para comandar a entidade máxima do futebol

O presidente da Fifa, Gianni Infantino, pediu desculpas pelo fracasso do projeto comercial Fifa Forward Enterprise (FFE) durante reunião do Conselho da entidade nesta quinta-feira (15), em Zurique, na Suíça. Apesar do recuo, o dirigente enfrentou duras cobranças e ouviu de opositores que não reúne condições para comandar a organização.
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Infantino busca apoio para um quarto mandato, mas dirigentes da Europa, da Ásia e da Concacaf aumentaram a pressão para que ele renuncie ao cargo. O mandatário rejeita abrir mão do posto. Após o término da reunião, que durou três horas e meia na sede da entidade, o dirigente evitou os jornalistas e divulgou apenas um pronunciamento gravado.
Em seu comunicado oficial, Infantino reconheceu falhas no processo. O dirigente pediu desculpas pelos erros de comunicação e consulta referentes ao plano que pretendia comercializar participações da Copa do Mundo. Segundo ele, a iniciativa era apenas uma proposta para investir nas federações, e não um contrato já consolidado.
Cobranças da oposição europeia
A presidente da Federação Inglesa de Futebol e vice-presidente da Fifa, Debbie Hewitt, criticou a falta de transparência da gestão. Em entrevista à BBC, ela afirmou que a reunião teve debates francos, mas terminou sem as informações solicitadas pelos membros, especialmente o acesso aos documentos da FFE.
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Para Hewitt, o dirigente precisa prestar esclarecimentos formais com urgência. A dirigente inglesa relatou que a administração solicitou o envio das dúvidas por escrito. Na visão dela, se o mandatário não fornecer essas respostas imediatamente, não está apto para permanecer como presidente da entidade máxima do futebol.
O encontro em Zurique tinha como foco a concessão de aproximadamente R$ 125,6 milhões para cada associação, viabilizada pela expansão de participantes na Copa do Mundo. O projeto prevê US$ 6 bilhões (cerca de R$ 30,16 bilhões) para o desenvolvimento do esporte entre 2027 e 2030, mas os representantes europeus mantiveram a insatisfação com a falta de respostas.
Apoio do futebol africano
Em contrapartida à resistência europeia, dirigentes do continente africano manifestaram sustentação ao atual presidente. O membro do Conselho da Fifa e presidente da Federação Mauritana de Futebol, Ahmed Yahya, afirmou que a entidade superou a polêmica inicial e agora busca soluções para o futuro com postura positiva.
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Conforme aponta Yahya, Infantino impulsiona o futebol pelo planeta e incentiva a participação de todas as regiões. O dirigente africano declarou que o debate sobre reformas institucionais é legítimo, mas avalia que as mudanças precisam alcançar também as confederações continentais e as associações nacionais, e não se limitar à cúpula da entidade.
Infantino afirmou ao site da Fifa que os recursos financeiros pertencem às 211 associações e prometeu responder aos questionamentos pendentes em momento oportuno. Ele ressaltou que os repasses individuais subiram de US$ 1 milhão para US$ 25 milhões nos últimos dez anos e defendeu a unidade entre os filiados.
Possível adversário na disputa pelo pleito
Infantino pode enfrentar um rosto conhecido na eleição na Fifa. A BBC publicou nesta quinta que Arsène Wenger, diretor de desenvolvimento de futebol da entidade máxima do futebol, é visto como uma figura que pode enfrentar o italiano em um eventual pleito.
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