Liga Europa

Brasileiro fugiu da Ucrânia durante guerra e sonha alto na Liga Europa

Guilherme Smith, de 23 anos, foi criado nas categorias de base do Botafogo

3 min

16/09/2026 07:00 • Atualizado há 32 dias

Brasileiro fugiu da Ucrânia durante guerra e sonha alto na Liga Europa

Guilherme Smith, de 23 anos, vive o melhor momento de sua carreira. Longe do Brasil, o atacante se encontrou com a camisa do Union Saint-Gilloise, da Bélgica, e sonha alto para a atual temporada: com o título da Liga Europa.

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“Claro que a Champions é muito mais difícil, mas, aqui no clube, falamos que entramos para tentar ser campeões e ganhar o máximo de jogos possíveis. Somos muito unidos, corremos juntos e acredito que dá pra fazermos uma boa campanha. Acredito que a gente pode fazer história nessa temporada e talvez ganhar um título da Liga Europa. Por que não?”, conta à Band.com.br.

A estreia na competição será nesta quinta-feira (17) contra o Viktoria Plzen, da República Tcheca, fora de casa. A confiança de Smith não é por acaso. A equipe do brasileiro conquistou a Copa da Bélgica e a Supercopa local nos últimos meses.

O drama na Ucrânia

Mas quem vê tamanha confiança e alegria de Smith sequer lembra que o atacante passou por uma história digna de de drama há poucos anos. Quando deixou o Botafogo rumo ao Zorya Luhansk, da Ucrânia, em 2022, rapidamente viu a guerra estourar no país do leste europeu.

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Sem experiência longe de casa e vivendo em um dos pontos principais do conflito, o brasileiro temeu pela própria vida e passou por uma jornada para deixar a Ucrânia com os companheiros de equipe.

“Eu via coisas que tinha que ir debaixo de bunker quando caia bomba e tocava sirene. Tive que andar 70 quilômetros, foram dias que não guardo nada na mente. Pego tudo que aconteceu lá como experiência mesmo para valorizar cada vez, cada dia de vida, porque eu não sabia se eu ia conseguir sobreviver, sair daquela guerra, não sabia como sair. Estava em uma das cidades mais próximas de onde estava sendo atingido”, recorda.

Após conseguir escapar da Ucrânia, Smith teve de retornar às categorias de base em um empréstimo ao Braga, de Portugal. Mesmo em meio às incertezas, não cogitou desistir e fez o possível para se manter em forma.

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“Fiquei um ano parado. Foi uma época de muita luta. Tive que ter muita resiliência, treinava sozinho, correndo na rua. Foi uma época muito desafiadora, porque eu nunca pensei em desistir apesar de tudo que passei. Depois de só passar por times grandes, tive que ir para Estônia, que é um país que quase ninguém conhece muito bem, eu nunca tinha ouvido falar para ser sincero”, continua.

Na Estônia, o jogador nascido em Juiz de Fora e com parte da vida no Rio de Janeiro estranhou o clima de “anos 90” do lugar. Apesar da dificuldade para se acostumar ao país, teve sequência pela primeira vez no Nõmme Kalju.

A primeira vez na Liga dos Campeões da Europa

O desempenho o levou ao seu time atual na Bélgica. Pelo Union Saint-Gilloise, realizou um dos sonhos de infância: jogar a Liga dos Campeões da Europa. A primeira vez na competição aconteceu em derrota por 2 a 0 para o Bayern de Munique.

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“Eu dava risada no hino da Champions. Minha emoção foi rir, porque eu sou um cara muito feliz. Meu sentimento nunca é chorar, é sorrir, demonstrar minha alegria. A Champions eu assistia sempre com meu pai e meu irmão, a gente imaginava. Aquela noite foi especial. Vai ficar marcado no meu coração pro resto da vida”, destaca.

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