Os últimos sem SAF: por que o modelo ainda não chegou a quatro estados
Enquanto 142 Sociedades Anônimas do Futebol já se espalham pelo país, Amapá, Maranhão, Rondônia e Tocantins seguem como as últimas fronteiras do modelo

A Sociedade Anônima do Futebol já chegou praticamente a todo o Brasil. Cinco anos depois da criação do modelo, clubes tradicionais, equipes de divisões inferiores e até projetos recém-fundados passaram a adotar a SAF como alternativa para atrair investimentos e profissionalizar a gestão.
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Mas o mapa ainda tem quatro exceções.
Amapá, Maranhão, Rondônia e Tocantins são os únicos estados brasileiros que não possuem uma SAF identificada, segundo a atualização mais recente do mapa elaborado pelo Instituto Brasileiro de Estudos da SAF (IBESAF). Ao todo, o levantamento contabiliza 142 sociedades desse tipo no país.
A ausência, porém, não significa que o assunto esteja distante desses mercados.
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No Amapá, por exemplo, o Ypiranga negocia justamente para se tornar a primeira SAF do estado. O projeto prevê a entrada da Redsol Energy como investidora e a possibilidade de a empresa assumir 90% do departamento de futebol a partir de 2027.
Futebol existe. O investimento é que ainda não chegou
Os quatro estados têm clubes tradicionais, campeonatos locais e representantes em competições nacionais. O que ainda não aconteceu foi a transformação formal de uma dessas equipes em SAF.
No Amapá, o Trem chegou à terceira fase da Série D em 2026 e igualou a melhor campanha de um clube do estado na competição desde 2009. O desempenho também garantiu calendário nacional para 2027.
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O desafio para equipes da região vai além das quatro linhas. Durante a Série D, o próprio Trem enfrentou uma viagem de mais de 60 horas para retornar a Macapá depois de uma partida contra o Tocantinópolis, exemplo do peso logístico enfrentado por clubes do Norte.
Maranhão tem gigante fora da onda
Entre os quatro estados, o Maranhão talvez seja o caso mais emblemático.
O Sampaio Corrêa tem histórico recente nas principais divisões nacionais, mas disputou a Série D em 2026. A equipe avançou ao mata-mata, foi eliminada pelo Trem e encerrou a temporada ainda em junho, depois de apenas 21 partidas no ano.
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A SAF, no entanto, já entrou no radar do clube.
Em 2025, dirigentes do Sampaio confirmaram negociações com um grupo liderado pelo ex-presidente do Flamengo Rodolfo Landim para transformar o futebol em SAF. O projeto chegou a prever investimentos em estrutura e a construção de um novo centro de treinamento, mas a mudança ainda não aparece entre as SAFs formalmente identificadas pelo levantamento do IBESAF.
Rondônia e Tocantins completam o mapa
Rondônia também permanece sem representantes no modelo, enquanto seus principais clubes tentam ganhar espaço no cenário nacional.
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No Tocantins, a realidade é semelhante. O Tocantinópolis se tornou presença recorrente na Série D e, em 2026, chegou à marca de 100 jogos na competição nacional. Apesar disso, nenhuma equipe do estado aparece atualmente registrada como SAF no levantamento.
O clube, campeão estadual em 2026, já garantiu presença na Série D, Copa do Brasil e Copa Verde de 2027.
Por que as SAFs não chegaram?
Não existe uma explicação única.
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O avanço das SAFs no Brasil também acompanha a capacidade de cada mercado de atrair investidores. Potencial de receita, tamanho da torcida, estrutura, calendário nacional, exposição comercial e possibilidade de valorização de jogadores pesam na hora de colocar dinheiro em um projeto.
Isso ajuda a explicar a concentração do modelo. Enquanto quatro estados ainda não registram nenhuma SAF, São Paulo sozinho aparece com 37 no levantamento do IBESAF. Minas Gerais tem 16, Paraná 14 e Santa Catarina 12.
O contraste mostra que a revolução societária do futebol brasileiro ainda é desigual.
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A SAF atravessou quase todo o mapa do país, chegou aos grandes clubes e desceu até equipes sem divisão nacional. Mas, em Amapá, Maranhão, Rondônia e Tocantins, a transformação ainda espera seu primeiro capítulo.
E, ao menos em alguns deles, ele parece estar cada vez mais próximo.
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