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Do Ninho à madrugada: conheça a rotina invisível dos roupeiros do Flamengo

Sidnei Bernardes detalha preparação, viagens e trabalho que segue mesmo após o apito final

5 min

05/10/2026 18:44 • Atualizado há 12 dias

Quando o árbitro apita o fim de uma partida do Flamengo, os jogadores deixam o gramado, passam pelo vestiário e começam a voltar para casa. Para quem trabalha na rouparia, porém, a jornada está longe de terminar.

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Há chuteiras para secar, tênis para guardar, cases para descarregar e todo o material do treino seguinte para preparar.

Em uma noite de jogo às 21h30, o expediente pode atravessar a madrugada e acabar apenas por volta das 3h ou 4h.

E ele começou muito antes de a bola rolar.

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Roupeiro do elenco profissional do Flamengo, Sidnei Bernardes contou ao band.com.br os bastidores de uma função que trabalha justamente para não aparecer.

“Eu sempre costumo dizer que o roupeiro é o cara que tem que olhar além. Num dia de jogo, para a gente, começa dois, três dias antes”, explica.

Muito antes de o Flamengo entrar em campo

A preparação muda de acordo com cada partida.

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É preciso considerar a competição, o estádio, o clima da cidade, possíveis ações comerciais, uniformes especiais e até homenagens previstas pelo clube.

Se a partida for fora do Rio, a atenção aumenta.

“Eu já estou olhando o clima, como está lá, se está frio ou não. Tenho que levar material a mais. Muitas vezes a gente vai para um lugar muito frio e precisa até pedir cobertor do hotel. Isso tudo tem que ser visto antes”, conta.

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Super Mundial de Clubes, em junho de 2025: 130 volumes de materiais levados pela delegação. I Foto: Divulgação/Flamengo

Super Mundial de Clubes, em junho de 2025: 130 volumes de materiais levados pela delegação. I Foto: Divulgação/Flamengo

No caso de partidas no Maracanã, Sidnei começa a montar no Ninho do Urubu, com antecedência, praticamente tudo o que será utilizado no estádio.

Cada jogador tem suas particularidades.

Há quem prefira determinado modelo de meia, quem utilize camisa térmica e quem tenha exigências específicas com chuteiras ou outros acessórios.

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A missão da equipe é antecipar qualquer necessidade.

“A última coisa que o jogador tem que pensar é material. Ele tem que pensar dentro do jogo. A gente tem que deixar ele o mais confortável possível.”

Libertadores tem operação própria

Em jogos da Libertadores, o protocolo é ainda mais rigoroso.

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Um dia antes da partida, o material que será utilizado por jogadores de linha e goleiros é separado para uma reunião da Conmebol.

Uniformes são apresentados e precisam ser aprovados previamente.

No estádio, há nova conferência.

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O delegado da partida verifica nomes e números, enquanto a competição também fornece itens específicos, como os coletes utilizados no jogo.

As detentoras dos direitos de transmissão e a própria Conmebol ainda realizam filmagens dentro do vestiário antes da chegada dos atletas.

Quando os jogadores entram no ambiente, boa parte do trabalho já foi executada.

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O expediente começa cedo

Nos dias de jogo, Sidnei e a equipe chegam ao CT antes dos atletas e da comissão técnica.

Primeiro, organizam o material utilizado no treinamento. Depois, começam a preparar o que seguirá para o estádio.

Sidnei fica responsável principalmente pelas roupas. Vinícius, seu auxiliar, cuida de tênis e chuteiras.

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Sidnei preparando o vestiário do Flamengo I Foto: Divulgação/Flamengo

Sidnei preparando o vestiário do Flamengo I Foto: Divulgação/Flamengo

A relação de atletas convocados só é definida após o treinamento. É a partir dela que o material definitivo da partida é fechado.

Para um jogo às 21h30, a saída do Ninho pode acontecer por volta das 14h ou 15h.

A intenção é chegar ao estádio entre cinco e seis horas antes da bola rolar.

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“Quanto menos você é lembrado, melhor”, resume Sidnei.

A frase virou uma espécie de regra interna.

“Enquanto ninguém chama a gente para nada, é porque está tudo certo. Não teve brecha nenhuma. Esse é o parâmetro para saber se o serviço está sendo bem executado.”

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O jogo acaba. O trabalho, não

A rotina invisível fica ainda mais clara depois da partida.

Se um confronto termina perto das 23h30, a equipe ainda leva aproximadamente uma hora ou uma hora e meia para deixar o estádio.

Depois, segue de volta ao Ninho.

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É preciso descarregar o veículo, retirar os materiais dos cases, colocar chuteiras para secar, guardar tênis e deixar tudo pronto para o dia seguinte.

“Jogo às nove e meia, a gente chega no CT por volta de duas da manhã para descarregar. Até tirar tudo, chuteira, tênis e organizar, dá umas três, três e meia.”

Dependendo da programação do Flamengo e do horário do treino seguinte, voltar para casa nem sempre compensa.

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Em algumas ocasiões, os roupeiros dormem no próprio CT.

“Às vezes a gente dorme aqui. Se o treino é de manhã, tira um cochilo rápido porque oito horas já tem que estar em pé.”

Uma equipe de três pessoas

Atualmente, segundo Sidnei, três profissionais dividem o trabalho da rouparia.

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Ele e Vinícius acompanham jogos e treinamentos. Moisés permanece mais ligado à estrutura do CT e dá suporte aos jogadores que ficam no departamento médico quando o restante da equipe está viajando.

Sidnei e Arrascaeta I Foto: Divulgação/Flamengo

Sidnei e Arrascaeta I Foto: Divulgação/Flamengo

Isso significa que mesmo quando não há jogo, a atividade pode continuar.

“Rouparia e fisioterapia são dois setores que trabalham sempre. Se tem jogador no departamento médico, um dos dois setores aparece no clube para fazer o serviço.”

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Da base ao profissional

Sidnei conhece essa rotina há mais de uma década.

Ele chegou ao Flamengo por volta de 2012 ou 2013 para trabalhar temporariamente em serviços gerais.

Durante o processo de transformação vivido pelo clube naquele período, profissionais das categorias de base repararam em seu trabalho e o levaram para o futebol.

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Começou como ajudante de campo, responsável por tarefas como água, gelo e transporte de materiais.

Uma oportunidade durante um jogo da base na Granja Comary mudou sua trajetória.

Sidnei precisou acumular funções e assumir a rouparia de uma das categorias. O trabalho agradou.

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Depois, foi levado ao Sub-17 e conviveu com jogadores que mais tarde chegariam ao profissional, entre eles Vinícius Júnior, Lucas Paquetá e Lincoln.

Em 2019, recebeu de Kleber Reis, então responsável pela rouparia principal, a oportunidade de trabalhar com o elenco profissional.

Ficou.

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Desde então, viveu por dentro um dos períodos mais vitoriosos da história recente do Flamengo.

Mas, enquanto milhões de pessoas acompanham o time dentro de campo, o sucesso do trabalho de Sidnei continua sendo medido por uma lógica quase inversa.

Quanto menos o roupeiro precisar ser chamado, melhor.

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