Opinião: O que falta para a Seleção de Ancelotti virar um time?
A cem dias do Mundial, equipe brasileira ainda sofre com planejamento ruim para o Mundial
A 100 dias da Copa, a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) ainda colhe os frutos de um planejamento horroroso no ciclo para a disputa do torneio. Desde o fim do Mundial do Catar, em dezembro de 2022, a Seleção teve quatro técnicos: Ramon Menezes, Fernando Diniz, Dorival Júnior e Carlo Ancelotti. Trata-se de uma média inferior a um por ano. Logo, o treinador italiano corre contra o tempo para ter uma equipe minimamente confiáve para o Mundial.
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O esquema tático e as interrogações de Ancelotti
Desde que foi anunciado como comandante canarinho, em maio de 2025, Ancelotti adotou claramente um esquema tático para enfrentar equipes de menor expressão. Trata-se de um 4-2-4, com Casemiro e Bruno Guimarães, hoje lesionado, na linha de volantes. Sobre os atacantes, ainda há interrogações.Vini. Jr. e Estêvão são titulares indiscutíveis. Raphinha, que vive às voltas com contusões, João Pedro (com seis gols nos últimos oito jogos do Chelsea), Matheus Cunha e Rodrygo parecem disputar neste momento as outras duas vagas.
Dúvidas na defesa
Incerteza na frente, dúvidas lá atrás. Na defesa, apenas Alisson e Gabriel Magalhães despontam como intocáveis de agora em diante. Marquinhos, do PSG, coloca-se como forte candidato a ocupar a zaga central.Em grande fase na Roma, Wesley disputa a titularidade na lateral-direita. O problema é que o ex-flamenguista vem atuando na ala-esquerda no time comandado por Gian Piero Gasperini.
Como o Brasil vai encarar seleções mais fortes?
O enigma a ser decifrado é: de que forma o Brasil vai jogar diante de adversários mais qualificados? Pistas surgirão nos amistosos contra França e Croácia, em março.Dá para apostar em um atacante a menos, com um atleta reforçando o setor de criação no meio de campo. Em mau momento, Paquetá disputa a posição. E Neymar?Em primeiro lugar, o santista precisa entrar em campo. Na média, são menos de 30 partidas por temporada desde 2017, quando chegou ao Paris Saint-Germain. Não deve ser chamado para os compromissos deste mês, mas, se mantiver frequência em campo aliada a bom desempenho, pode pleitear um lugar entre os 26 que vão à América do Norte.
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Neymar comemora gol contra o Vasco. Foto: @SantosFC/X/Divulgação
Copa é torneio de tiro curto
Vale ressaltar que a Copa do Mundo é uma competição ímpar, geralmente conquistada pela melhor seleção daquele mês ou, ainda, do mata-mata.Há inúmeros casos de campanhas pífias nas fases de grupos que resultaram em títulos.Por exemplo, a Itália de Enzo Bearzot, em 1982, iniciou a campanha de forma patética. Classificou-se para a segunda etapa depois de empatar três jogos na sua chave contra Camarões, Peru e Polônia. Eliminou Argentina, a então campeã mundial, e o favorito Brasil. Embalou e levantou o tri. No entanto, havia uma base composta por grandes jogadores, como Zoff, Scirea, Cabrini, Antognoni, Paolo Rossi e Bruno Conte.Espinha dorsal. É disso que a Seleção de Ancelotti precisa. Ainda não há. Haverá tempo?
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