Palmeiras adotou o apelido "porco" em um clássico contra o Santos; relembre
Verdão transformou a ofensa em música e mascote

O clássico entre Palmeiras e Santos, que acontecerá pela Copa do Brasil, nesta quarta-feira (27), é cheio de histórias ricas e curiosidades. Uma delas surgiu em 1986, quando o Verdão adotou o apelido de “Porco”. Foi justamente em um clássico contra o Peixe, para quebrar um tabu…
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O "porco" como ofensa
Em 1968, dois jogadores do Corinthians, Lidu e Eduardo, morreram em um trágico acidente automobilístico. O clube pediu para inscrever novos jogadores fora do prazo, como substitutos. Isso dependia da aprovação unânime dos outros clubes. A diretoria do Palmeiras, na época, não aceitou.
Revoltado, o Corinthians acusou o Palmeiras de ter "espírito de porco". A partir dali, os torcedores rivais adotaram a palavra como xingamento nos estádios.
O grito de liberdade no Pacaembu
O apelido foi recebido com raiva por muito tempo. A mudança começou com um gerente de marketing do clube, João Roberto Gobbato. Ele propôs assumir o animal como apelido. A ideia não foi bem aceita dentro do clube, mas a maior torcida organizada gostou.
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Então o Santos entrou na história: foi justamente em um jogo contra o Peixe, em outubro de 1986, que a torcida adotou o apelido pela primeira vez. Após o gol da vitória, marcado por Mirandinha, a torcida cantou "E dá-lhe Porco... e dá-lhe Porco... olê, olê, olê!".
O grito funcionou como um antídoto contra as provocações. No jogo seguinte, contra o São Paulo, no Morumbi, torcedores já levaram até porcos vivos para o gramado.
A consagração na mídia

O processo de aceitação foi selado pouco depois, em novembro de 1986, com uma capa histórica da revista Placar.
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O meia Jorginho Putinatti, principal ídolo do elenco na década de 1980, aceitou posar para o veículo carregando um porco vivo no colo.
Anos mais tarde, em entrevista à revista, Putinatti relembrou o impacto imediato no elenco: "A gente ficava bravo quando os adversários falavam. Até que teve o clássico em 86 e, quando entramos em campo, começou o 'Dá-lhe Porco'. O sentimento geral do grupo foi bom. Vamos abraçar a ideia, então".
Décadas depois, a tradição cresceu. O apelido virou mascote em 2016: agora o clube tem o porco Gobbato, nome em homenagem ao diretor que começou tudo. Ele e o periquito são os mascotes oficiais do Verdão.
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