Sem posicionamento ao plano da Fifa, Conmebol vira peça-chave em crise
Entidade sul-americana se isola ao não rejeitar proposta de R$ 102,5 bilhões que ameaça rachar o futebol
Em meio ao racha sem precedentes gerado pelo plano da Fifa de fundar a empresa Fifa Forward Enterprise (FFE) e comercializar fatias de seus torneios a investidores privados, a postura da Conmebol passou a concentrar os holofotes do futebol mundial. Entre as seis confederações continentais, a entidade sul-americana é a única que ainda não apresentou uma manifestação pública de rejeição ao projeto da entidade gerida por Gianni Infantino.
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A proposta da Fifa consiste em vender participações minoritárias por meio do novo modelo de negócios, estimado em cerca de R$ 102,5 bilhões. A intenção é reunir os eventos e operações em uma nova estrutura comercial, mantendo o controle político da modalidade sob a gestão da entidade máxima do esporte.
Isolamento diante da onda de rejeição global
Enquanto a Conmebol prefere acompanhar as discussões exclusivamente pelos canais institucionais da Fifa, as principais confederações do planeta adotaram posições duríssimas contra a medida:
- Uefa (Europa): Rejeitou o projeto de forma unânime e ameaçou boicotar todas as competições da Fifa.
- Concacaf (América do Norte, Central e Caribe): Declarou oposição ao modelo e defendeu a governança tradicional.
- AFC (Ásia): Alinhou-se ao bloco de oposição, afirmando que a proposta não tem condições de alcançar consenso.
Enquanto África (CAF) e Oceania (OFC) abriram consultas internas e reuniões executivas com suas federações filiadas, a América do Sul evita seguir a linha de recusa ostensiva e mantém uma estratégia baseada no diálogo interno com Infantino.
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Declarações que pressionam a postura da América do Sul
A posição neutra da Conmebol contrasta com o tom inflamado adotado por dirigentes de outros continentes. Em comunicado oficial, a Uefa deixou claro o nível de exigência dos europeus para permanecer nas disputas da entidade:
Nenhuma seleção da Uefa vai participar de competições da Fifa enquanto estas propostas estiverem vivas, a não ser que ela seja inteiramente abandonada e haja garantias de que a Fifa nunca mais abrirá sua governança ou suas competições à propriedade privada.
No âmbito da Concacaf, o entendimento de que a gestão comercial deve seguir vinculada ao âmbito esportivo foi enfático:
A Concacaf é uma confederação unida pelo amor ao nosso esporte, onde o futebol vem em primeiro lugar. Construímos uma organização fundamentada na prestação de serviços, na governança transparente e na gestão responsável do futebol a longo prazo.
Apesar do tom da Concacaf, a Federação Mexicana de Futebol abriu uma exceção na região ao confirmar que analisará a oferta:
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A Federação Mexicana de Futebol foi notificada pela Fifa em 28 de julho de 2026 a respeito da proposta do presidente, Gianni Infantino, de aumentar a receita do programa FIFA Forward, principal veículo para promover o desenvolvimento positivo do futebol no mundo, com base em um novo modelo financeiro.
Por sua vez, a asiática AFC sacramentou a inviabilidade do plano caso a divisão continue:
Tendo em conta a posição manifestada pela Uefa e Concacaf, além das divisões sem precedentes que surgiram no mundo do futebol, a AFC considera que a FFE (Fifa Forward Enterprise) proposta não pode, de forma realista, alcançar o amplo consenso e a unidade necessários para seguir em frente.
Até mesmo na Oceania, a diretoria emitiu um posicionamento formal para guiar suas federações:
A Confederação de Futebol da Oceania (OFC) observa que a Fifa iniciou um processo de consulta com suas Associações Membro e o Conselho da Fifa a respeito da proposta da iniciativa Fifa Forward Enterprise. A proposta será analisada pelo Comitê Executivo da OFC em sua próxima reunião, em agosto. A OFC convida suas Associações Membro a analisarem a proposta e a participarem do processo de consulta.
O peso da decisão sul-americana
Diante do silêncio e da recusa em fechar portas ao projeto da Fifa, a expectativa sobre a postura definitiva da Conmebol só aumenta. O direcionamento que a confederação tomar nos próximos dias será determinante para medir o nível de sustentação política de Gianni Infantino e poderá definir os rumos de uma das maiores transformações comerciais da história do futebol internacional.
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Com informações da Estadão Conteúdo
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