Velocidade

Como Trump transformou Indy em palco político, após a Copa do Mundo

Presidente participou da entrega da taça à Espanha e deu a largada do GP de Washington em meio à baixa aprovação e à proximidade das eleições legislativas

4 min

25/08/2026 10:20 • Atualizado há 6 dias

Primeiro, Donald Trump permaneceu no palco enquanto os jogadores da Espanha levantavam a taça da Copa do Mundo.

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Pouco mais de um mês depois, percorreu as ruas de Washington na limusine presidencial e agitou a bandeira verde para autorizar a largada de uma corrida da Fórmula Indy.

Em 2026, os Estados Unidos se transformaram no principal palco esportivo do planeta: estádios lotados, monumentos históricos, bandas militares, aeronaves de guerra, uma limusine presidencial e Trump sempre próximo do centro da imagem.

A Copa do Mundo e a Freedom 250 funcionaram como vitrines para o presidente norte-americano em um ano marcado pela queda de sua popularidade e pelas eleições que definirão o controle do Congresso.

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Trump acompanha a Espanha levantar a taça

Trump durante celebração espanhola na final da Copa

Trump durante celebração espanhola na final da Copa

Crédito: REUTERS/Mike Segar

Realizada em conjunto por Estados Unidos, Canadá e México, a Copa do Mundo teve em território norte-americano a maior parte de seus jogos e a decisão. A final aconteceu no MetLife Stadium, em Nova Jersey, no dia 19 de julho.

A Espanha derrotou a Argentina por 1 a 0 na prorrogação e conquistou o bicampeonato mundial. Trump assistiu à partida ao lado do presidente da Fifa, Gianni Infantino, e desceu ao gramado para participar da cerimônia de premiação.

Espanha celebra título da Copa com Gianni Infantino e Donald Trump

Espanha celebra título da Copa com Gianni Infantino e Donald Trump

Crédito: REUTERS/Hannah Mckay/File Photo

A presença do norte-americano já estava prevista. Dias antes da decisão, a Casa Branca confirmou que Trump entregaria a taça ao capitão da seleção campeã.

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Trump e Infantino foram vaiados por parte do público durante a cerimônia. Depois de entregar o troféu ao capitão Rodri, o presidente permaneceu no palco durante o início da comemoração espanhola e apareceu atrás dos jogadores enquanto a taça era erguida.

Corrida da Indy foi desejo de Trump

Freedom 250: veja curiosidades da estreia da Indy em Washington

Freedom 250: veja curiosidades da estreia da Indy em Washington

Crédito: Reuters

Pouco mais de um mês depois, o presidente ganhou um evento praticamente desenhado para unir esporte, patriotismo e poder político. A Freedom 250 levou a Fórmula Indy pela primeira vez às ruas de Washington como parte das comemorações dos 250 anos da independência dos Estados Unidos.

A realização da prova partiu de uma ordem executiva assinada por Trump. O projeto recebeu apoio de pilotos da Indy e foi incorporado ao calendário da temporada de 2026.

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Trump durante a Freedom 250 da Indy

Trump durante a Freedom 250 da Indy

Crédito: Reuters

O circuito passou pela Pennsylvania Avenue, pelo National Mall e pelos arredores de alguns dos principais monumentos da capital. Antes da largada, Trump e a primeira-dama, Melania, completaram uma volta no carro presidencial conhecido como “The Beast”.

A cerimônia também contou com bandas militares e sete sobrevoos de aeronaves das Forças Armadas. O espaço aéreo do Aeroporto Nacional Ronald Reagan chegou a ser interrompido para a passagem das formações.

Donald Trump cumprimenta o presidente do conselho da Penske Corporation, Roger Penske

Donald Trump cumprimenta o presidente do conselho da Penske Corporation, Roger Penske

Crédito: Reuters

Depois da volta presidencial, Trump agitou a bandeira verde de seu camarote e autorizou a largada dos 25 carros. A imagem colocou novamente o presidente no centro de um dos eventos esportivos mais importantes realizados no país.

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Espetáculo acontece antes das eleições

Os Estados Unidos realizam em 3 de novembro as eleições de meio de mandato, conhecidas como midterms.

Todos os 435 lugares da Câmara dos Representantes e 35 das 100 cadeiras do Senado estarão em disputa. O resultado definirá quem controlará o Congresso durante os dois últimos anos do atual mandato presidencial.

Cúpula do Capitólio dos EUA

Cúpula do Capitólio dos EUA

Crédito: Reuters

As eleições legislativas são consideradas um termômetro da popularidade do presidente, mesmo que o nome dele não apareça diretamente nas cédulas. Os republicanos defendem maiorias apertadas e correm o risco de perder espaço para os democratas.

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O cenário se torna mais delicado diante da avaliação do governo. Pesquisa Reuters/Ipsos encerrada em 24 de agosto apontou que somente 33% dos norte-americanos aprovavam o trabalho de Trump na Casa Branca. Foi o menor índice registrado pelo instituto nos dois mandatos do republicano.

A guerra contra o Irã, a elevação dos preços dos combustíveis e as preocupações com o custo de vida aparecem entre os principais motivos para a queda.

Trump pode disputar outra eleição?

Trump não poderá concorrer novamente à Presidência em 2028 pelas regras atuais da Constituição. A 22ª Emenda estabelece que nenhuma pessoa pode ser eleita presidente dos Estados Unidos mais de duas vezes.

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Como Trump venceu as eleições de 2016 e 2024, ele já atingiu o limite. O fato de os mandatos não terem sido consecutivos não altera a regra. Uma nova candidatura somente seria possível após uma mudança constitucional, processo que exigiria amplo apoio no Congresso e nos estados.

Mesmo fora da próxima disputa presidencial, Trump poderá exercer influência sobre a escolha de um sucessor republicano e participar das campanhas do partido. Antes disso, terá nas eleições legislativas de 2026 um teste direto de seu poder político.

Como Trump transformou Indy em palco político, após a Copa do Mundo