Internacional

De Milei a Espriella, o que há em comum nas vitórias da direita na América

Cientista político avalia os três pilares em comum nas vitórias da extrema-direita na Colômbia, Argentina, Bolívia, Chile, Equador, Paraguai, Venezuela e Peru

3 min

23/06/2026 09:56 • Atualizado há 69 dias

A Colômbia é mais um país que se inclinou à extrema-direita com a confirmação da vitória de Abelardo de La Espriella nas eleições presidenciais. O candidato apoiado por Donald Trump venceu Iván Cepeda no 2º turno por 49,65% dos votos a 48,70%.

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Em participação na BandNews TV nesta segunda-feira (22), o cientista político Fernando Schüler analisou a onda conservadora que toma conta da América Latina com as vitórias recentes, além de Espriella, de Javier Milei na Argentina, de Rodrigo Paz na Bolívia, de José Antonio Kast no Chile, de Daniel Noboa no Equador, de Santiago Peña no Paraguai e de Delcy Rodríguez na Venezuela, além do provável triunfo de Keiko Fujimori no Peru - restam cerca de 1% da apuração no país.

Para Schüler, ainda é precipitado dizer que o Brasil seguirá o mesmo rumo em outubro, mas já é possível apontar três pontos em comum nas eleições dos países vizinhos: crítica dos gastos públicos, combate à violência e sentimento anti-woke.

"No Chile, Antonio Kast é um político muito mais tradicional. Rodrigo Paz, na Bolívia, é um candidato tradicional, é um político tradicional. Keiko Fujimori é uma candidata também tradicional. Ela concorreu várias vezes, ela já estava inserida. Espriella já tem uma característica diferente, porque ele é um antissistema, é um advogado, é a primeira vez que vai ocupar um cargo público. Então não tem esse discurso contra a casta, é um pouco Javier Milei, uma mistura de Millei com Bukele lá em El Salvador", disse.

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"Dá para dizer que há uma tendência. Entre ter uma onda grande e uma tendência, tem um pouco de diferença. Na política, às vezes importa a gradação. Você tem uma tendência, precisa saber qual é o tamanho dela", afirmou o cientista político.

Corte de gastos

Schüler aponta que existe uma crítica contundente ao modelo distributivista de governos de esquerda, frequentemente associado a problemas fiscais. “Existe a crítica do gasto público, desequilíbrio fiscal, políticas mais pró-mercado. O que na América Latina, com exceção talvez do Milei, nunca é muito rigoroso, porque a nossa tendência ao populismo é grande. De qualquer maneira, a ideia de que a esquerda tem uma visão expansionista do gasto público, distributivista, só que isso gera um problema crônico de desequilíbrio fiscal, de instabilidade, pressão inflacionária”, disse.

O Brasil é um caso bem mais ameno do que a Argentina, mas está indo nessa linha também. Então, muito distributivismo, desequilíbrio fiscal, dívida pública crescendo 10 pontos, 11 pontos do PIB em 4 anos. É a receita, é uma receita clássica da esquerda tradicional na América Latina.

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Combate à violência e narcotráfico

Segundo o analista, há uma sensação de descontrole estatal sobre a segurança pública e na guerra ao tráfico de drogas, o que tem garantido as vitórias de candidatos mais à direita nesses países. “Agora, claramente na Colômbia, o candidato Espriella tem essa política do ‘vamos construir presídios, vamos combater as organizações criminosas, não vamos ter nenhum tipo de negociação com os ex-guerrilheiros da antiga Farc’. Aí eu diria que é o Bukele é o grande modelo, até mais do que o Milei”.

Sentimento anti-woke

Por fim, o terceiro pilar seria um conservadorismo comportamental, chamado por Schüler de “onda anti-woke” presente nestes países. “O que é o wokeismo? Essa ênfase exagerada nas questões comportamentais, pró-aborto, questões de gênero, questões raciais, questões comportamentais, orientação sexual, ou seja, essa fixação quase nos temas da identidade que vem da esquerda americana, mas que acaba sendo hoje o padrão de boa parte da esquerda, de classe média, urbana também na América Latina”, explicou.

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