Entenda o contexto econômico que levou a França a mais uma greve geral
Os manifestantes reclamam que perderam poder de compra e não aceitam cortar gastos em áreas essenciais - como saúde e educação
Milhares de manifestantes foram às ruas, nesta quinta-feira (18), em mais um dia de fúria para protestar contra a política econômica do governo da França. Os manifestantes reclamam que perderam poder de compra e não aceitam cortar gastos em áreas essenciais - como saúde e educação. Entenda a seguir o cenário político francês que levou a mais uma greve geral.
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Parte do país parou em mais uma greve geral. Muitas escolas não abriram, e 90% das farmácias permanecem fechadas, além de funcionários de hospitais e maquinistas, que cruzaram os braços.
A maioria das estações de metrô em Paris estão fechadas ou na chamada operação escargot, um tipo de protesto onde os grupos bloqueiam estradas ou infraestruturas com o objetivo de causar atrasos ou trânsito em grandes cidades – semelhante à ‘Operação Tartaruga’, popular no Brasil.
Em uma linha do metrô que liga a Torre Eiffel até o centro, os passageiros estão levando uma hora de espera por um trem - que em dias normais passa a cada três minutos.
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Nas contas dos sindicatos, um milhão de franceses protestaram em todo o país. Nas do governo, 500 mil.
Operação de segurança
Um contingente de 80 mil policiais foi mobilizado para garantir a segurança no país. Veículos blindados estão sendo usados para desbloquear estradas, enquanto a tensão cresce.
Até o momento da publicação desta reportagem, 80 pessoas tinham sido presas, e o Ministério do Interior prevê que o número aumentará ao longo do dia. A polícia está em alerta máximo e teme a infiltração de mais de 5 mil "incitadores de violência" entre os manifestantes.
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Aprovação de Macron é a pior desde 2017
Durante a crise econômica, outro impasse também preocupa o governo francês: a aprovação do presidente Emmanuel Macron atingiu o menor nível registrado desde que ele assumiu o poder, há 8 anos.
Uma pesquisa divulgada no último dia 14 de setembro pelo jornal La Tribune de Dimanche aponta que a popularidade do presidente caiu 7 pontos percentuais em relação a julho. Com isso, o índice de aprovação do governo está em 17%.
França vive cenário econômico conturbado
A França está mergulhada em uma crise econômica: a segunda maior economia da Europa tem a terceira maior dívida da zona do euro.
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O ex-primeiro ministro François Bayrou caiu depois de apresentar um plano de corte de 44 bilhões de euros, e o novo premiê, Sebastien Lecornu, ainda não disse como vai cortar gastos sem aumentar a revolta das ruas.
Na ocasião, Bayrou não conseguiu obter um voto de confiança depois de apresentar uma proposta de orçamento dura, conforme informou o comunicado do Palácio do Eliseu. No entanto, a queda dele aprofundou, ainda mais, a crise política na França.
Ele foi o quarto premiê desde o início do segundo mandato de Emmanuel Macron, em maio de 2022, e o segundo desde que o presidente dissolveu a Assembleia Nacional e convocou uma nova eleição, em junho de 2024. Veja a lista de políticos que já ocuparam o cargo nos mandatos de Macron:
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- Édouard Philipe (de junho de 2017 a julho de 2020)
- Jean Castex (de julho de 2020 a maio de 2022)
- Elisabeth Borne (até janeiro de 2024);
- Gabriel Attal (até setembro de 2024);
- Michel Barnier (até dezembro de 2024)
- François Bayrou, que permaneceu nove meses no cargo
Sébastian Lecornu assume
Um dia depois a queda de Bayrou, em 9 de setembro, Macron indicou o então ministro da Defesa, Sébastian Lecornu. No comunicado oficial, o Palácio do Eliseu afirma que Macron ‘instruiu’ Lecornu a consultar as forças política representadas no parlamento francês para costurar um orçamento.
Pouco depois que assumiu o cargo, Lecornu afirmou que serão realizadas consultas sobre a descentralização da administração francesa, a racionalização de agências governamentais e a transferência de mais responsabilidades para os conselhos locais.
Ele também propôs a fusão ou a extinção de alguns órgãos governamentais e a revogação de privilégios vitalícios concedidos a ex-membros do gabinete.
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Questionado se consideraria implementar um imposto sobre os super-ricos – proposta rejeitada pelo governo anterior –, ele respondeu que estava somente disposto a trabalhar na "questão da justiça fiscal". As informações são da DW Brasil, parceira da Band.
O premiê chegou pressionado ao cargo, uma vez que 40% dos franceses não aprovaram a substituição no cargo, segundo uma pesquisa divulgada pelo jornal La Tribune. Mas a rejeição atribuída ao nome de Lecornu só não era maior que a de François Bayrou, que tinha 74% em julho de 2024.
Fitch rebaixa nota de crédito da França
Os anúncios feitos pelo novo premiê vieram um dia após a agência de classificação de risco Fitch rebaixar a nota de crédito da França. A tabela divulgada pela agência americana demonstra que a nota francesa caiu de A+ para AA-. E justifica o rebaixamento como “classificação de inadimplência a longo prazo”. A alteração foi feita quatro dias depois da substituição do ex-premiê francês Bayrou.
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A agência americana, uma das principais instituições globais que avaliam a solidez econômica e a capacidade dos países em cumprir suas obrigações financeiras, também alertou que a montanha de dívidas da França deve continuar aumentando até 2027, a menos que medidas urgentes sejam tomadas.
Líderes políticos da direita e da esquerda atribuíram a culpa a Macron e pediram um rompimento com suas políticas. Dois dias depois da troca, o jornal francês Le Monde publicou uma reportagem em que afirma: “o novo primeiro-ministro francês caminha na corda bamba”.
“As chances de sucesso para o homem encarregado de juntar os cacos – apenas três dias após a queda do ex-primeiro-ministro François Bayrou – são mínimas”, disse o jornal.
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O centro da crise
O rebaixamento dificulta a tarefa de Lecornu de preparar um orçamento para o próximo ano à frente do que provavelmente será um governo minoritário.
"A derrota do governo em uma moção de confiança ilustra a crescente fragmentação e polarização da política interna", observou a Fitch em sua avaliação. A agência considerou improvável que o déficit fiscal fosse reduzido para 3% do PIB até 2029, como desejava o governo de Bayrou.
A partir de agora, como os aliados de Macron no Parlamento não têm maioria absoluta, provavelmente terão que fazer concessões que podem minar qualquer iniciativa de corte de gastos e aumento de impostos, com o cargo de Lecornu também potencialmente em jogo.
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O déficit orçamentário da França representou 5,8% do Produto Interno Bruto (PIB) no ano passado, e a dívida do país, 113% do PIB, em contraste com os limites estabelecidos na zona do euro, de 3% para o déficit e 60% para a dívida.
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