Por que a apuração dos votos nos EUA pode demorar mais que no Brasil?
Sistema eleitoral americano é descentralizado e tem regras diferentes em cada estado; entenda como funciona a votação e a contagem

A velocidade da apuração dos votos no Brasil chamou a atenção do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, nesta segunda-feira (5). Em uma publicação nas redes sociais, Trump elogiou o fato de os resultados do primeiro turno da eleição presidencial brasileira terem sido divulgados no mesmo dia da votação e usou a comparação para criticar o sistema eleitoral americano.
Continua depois da publicidade
A diferença entre os dois países está, principalmente, na forma como as eleições são organizadas. Enquanto o Brasil tem um sistema nacional coordenado pela Justiça Eleitoral, os Estados Unidos possuem uma estrutura descentralizada, na qual estados, condados e outras autoridades locais têm responsabilidades pela organização e pela apuração das eleições.
Nos EUA, existem mais de 10 mil jurisdições eleitorais. Cada estado estabelece suas próprias regras para diferentes etapas da votação, dentro dos parâmetros determinados pela legislação federal. Por isso, procedimentos de registro, votação, contagem e certificação podem variar de um lugar para outro.
Quem organiza as eleições nos Estados Unidos?
Não existe nos Estados Unidos um órgão nacional equivalente ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) com a mesma função de organizar e centralizar as eleições de todo o país.
Continua depois da publicidade
Cada estado tem uma autoridade eleitoral responsável pela supervisão do processo. Na prática, porém, as eleições geralmente são administradas pelos condados. Em alguns locais, cidades ou municípios também podem ter responsabilidades eleitorais.
A Comissão de Assistência Eleitoral dos Estados Unidos (EAC, na sigla em inglês) atua como órgão federal de orientação e reúne informações sobre a administração das eleições, mas não exerce supervisão regulatória sobre os processos conduzidos pelos estados e pelas autoridades locais.
Essa estrutura faz com que não exista um único procedimento nacional para a votação. As regras sobre registro, identificação, votação antecipada, voto pelo correio e outros aspectos podem variar conforme o estado.
Continua depois da publicidade
Como os votos são contados?
Depois do encerramento da votação, cada jurisdição local realiza os procedimentos necessários para contabilizar os votos. Dependendo do estado, o processo pode envolver votos presenciais, votação antecipada e cédulas enviadas pelo correio.
Os resultados passam por etapas de conferência, auditoria e certificação antes de serem oficialmente concluídos. Como essas tarefas são realizadas por diferentes autoridades e seguem regras estaduais e locais, o prazo para a divulgação e a certificação dos resultados pode variar.
Também é importante diferenciar a divulgação de uma projeção do resultado da certificação oficial. Na noite da eleição, veículos de imprensa e organizações especializadas podem projetar um vencedor com base nos votos apurados. O resultado oficial, porém, depende da conclusão dos procedimentos eleitorais de cada jurisdição.
Continua depois da publicidade
Por que a eleição presidencial é diferente?
Outra diferença importante está na escolha do presidente. Nos Estados Unidos, o presidente e o vice-presidente não são eleitos diretamente pelo voto popular nacional. O resultado é definido pelo Colégio Eleitoral.
Existem 538 votos eleitorais, distribuídos entre os estados e Washington, D.C., de acordo com a representação de cada um no Congresso. Para vencer, um candidato precisa conquistar pelo menos 270 votos eleitorais.
Na maioria dos estados, o candidato que recebe mais votos populares fica com todos os votos do Colégio Eleitoral daquele estado. As exceções são Maine e Nebraska, que adotam uma distribuição diferente.
Continua depois da publicidade
Por esse sistema, é possível que um candidato receba mais votos populares em todo o país e, ainda assim, não consiga a maioria necessária no Colégio Eleitoral. Isso ocorreu nas eleições presidenciais de 2000 e 2016.
E nas eleições para o Congresso?
As eleições legislativas seguem outra lógica. Os eleitores escolhem diretamente os representantes para a Câmara e o Senado.
A Câmara dos Representantes tem 435 cadeiras, todas disputadas a cada dois anos. Já o Senado tem 100 integrantes, com mandatos de seis anos. Como os mandatos são escalonados, aproximadamente um terço das cadeiras do Senado é renovado a cada eleição de dois anos.
Continua depois da publicidade
É justamente esse tipo de votação que está no centro das eleições de meio de mandato, conhecidas como midterms. Em 2026, os americanos vão às urnas para escolher todos os 435 integrantes da Câmara e parte dos senadores, além de cargos estaduais e locais.
A descentralização do sistema americano ajuda a explicar por que a apuração pode seguir ritmos diferentes em cada região do país. No Brasil, a existência de uma Justiça Eleitoral nacional e de um sistema de totalização centralizado permite que os resultados sejam reunidos e divulgados em escala nacional de forma mais uniforme.
Fique por dentro das últimas
notícias
