Mulheres são maioria absoluta na gestão de sex shops no Brasil
Censo inédito mostra que brasileiras comandam a maioria dos negócios do mercado adulto, que segue em expansão mesmo diante de desafios econômicos e restrições nas redes sociais

Às vésperas do Dia dos Namorados, um levantamento inédito divulgado durante a Intimi Expo 2026, maior feira do mercado adulto da América Latina, revelou que as mulheres são protagonistas absolutas na gestão de sex shops no Brasil. De acordo com o Censo ABIPEA 2026, realizado pela Associação Brasileira da Indústria e Profissionais do Entretenimento Adulto (ABIPEA), 77,9% dos lojistas e empreendedores do setor são mulheres.
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A pesquisa ouviu 1.271 profissionais de todo o país e traçou um panorama detalhado de um segmento que tem crescido de forma consistente nos últimos anos. O resultado reforça uma transformação no perfil do mercado adulto brasileiro, que deixou de ser visto apenas como um nicho de entretenimento para se consolidar como uma alternativa de empreendedorismo e geração de renda.
Segundo a presidente da ABIPEA e coordenadora do estudo, Paula Aguiar, a presença feminina está diretamente ligada à busca por independência financeira e à conexão do setor com temas como autoestima, bem-estar e relacionamentos.
"Estamos em meio a uma transformação no perfil do setor, hoje impulsionado principalmente por empreendedoras que encontraram no mercado erótico uma oportunidade de independência financeira, geração de renda e conexão com temas ligados ao bem-estar, autoestima e relacionamentos", afirma.
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Os dados também foram confirmados pelo Guia de Sex Shop, diretório nacional apresentado em sua terceira edição durante a feira. Mais de 79% das lojistas cadastradas na plataforma são mulheres.
Perfil das empreendedoras
O levantamento mostra que a maior parte dos empresários do setor está na faixa entre 26 e 45 anos, representando 69,1% dos entrevistados. A maioria administra micro e pequenas empresas, frequentemente sem funcionários ou com equipes de até três colaboradores.
Mesmo diante de um cenário econômico considerado desafiador, o setor demonstra resiliência. Mais da metade dos negócios consultados (50,7%) registrou aumento nas vendas nos últimos meses. Além disso, 64,7% dos empreendedores afirmaram que pretendem investir ou expandir suas operações ao longo de 2026.
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Outro dado que chama atenção é a renovação constante do segmento. Quase metade das empresas identificadas (49,6%) foi criada nos últimos cinco anos, entre 2021 e 2026.
Mercado muda vidas
Para muitas mulheres, o setor representou uma oportunidade de transformação profissional e financeira.
É o caso de Inês Barros, proprietária da Fascinação Boutique, em Rio Branco (AC), considerada uma das pioneiras do segmento na região.
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"No início foi uma oportunidade, pois aqui na minha cidade não tinha em 2007. Mas me apaixonei pelo ramo e estou até hoje. Mudou 100% a minha vida. Devo muito a esse mercado", relata.
Já a empresária Poliana Bassetto, da Khira Moda Íntima, em São Paulo, entrou no mercado como uma estratégia para ampliar a renda familiar.
"Sempre me interessei por produtos eróticos e sensuais e pesquisava muito sobre o assunto", afirma.
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Consumidor busca bem-estar e autoestima
O estudo também aponta mudanças no comportamento dos consumidores. Os produtos mais vendidos atualmente são os cosméticos íntimos, responsáveis por 31,3% das vendas, seguidos pelos vibradores, com 23,9%. Juntos, eles representam mais da metade do volume comercializado pelo setor.
Segundo Inês Barros, o acesso à informação ajudou a transformar o perfil dos clientes.
"Com acesso às redes sociais e a muitas informações, o consumidor está mais exigente e consciente do que quer consumir. O cliente de sex shop hoje busca prazer, saúde íntima, autoestima e bem-estar e cada vez mais sabe exatamente o que quer", afirma.
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Redes sociais ainda são desafio
Apesar do crescimento, o mercado enfrenta obstáculos importantes, principalmente na divulgação digital. O WhatsApp já é utilizado como canal ativo de vendas por 90% das empresas entrevistadas, enquanto o Instagram lidera como principal plataforma de conteúdo.
No entanto, 38,4% dos negócios afirmaram já ter sofrido algum tipo de bloqueio de conta nas redes sociais, tornando a visibilidade digital um dos maiores desafios para o segmento.
De acordo com Paula Aguiar, trata-se de um problema recorrente para empresas que atuam no mercado adulto, mesmo entre aquelas que investem regularmente em publicidade online.
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Setor ganha relevância econômica
O Censo ABIPEA 2026 mostra ainda que o mercado adulto brasileiro é composto majoritariamente por micro e pequenas empresas, com lojas de até 50 metros quadrados e faturamento mensal predominantemente abaixo de R$ 10 mil.
Mesmo assim, os indicadores de crescimento e expansão apontam para um setor em consolidação, impulsionado principalmente pelo empreendedorismo feminino e pela mudança na percepção dos consumidores sobre sexualidade, saúde íntima e qualidade de vida.
Apresentado durante a Intimi Expo 2026, o estudo é considerado o retrato mais abrangente já realizado sobre o mercado adulto brasileiro e reforça a crescente participação das mulheres na liderança de um dos segmentos mais dinâmicos do varejo nacional.
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