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A Luz Vermelha

Em setembro de 1993, a Ponte Preta conquistava um feito histórico: o título mundial feminino de clubes de basquete. O elenco parecia uma seleção brasileira. Pau

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22/07/2026 15:21 • Atualizado há 40 dias

A Luz Vermelha

Em setembro de 1993, a Ponte Preta conquistava um feito histórico: o título mundial feminino de clubes de basquete.

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O elenco parecia uma seleção brasileira. Paula, Hortência, Karina, Roseli, Nádia, Helen Luz, Silvia Luz, Ruth... comandadas por Maria Helena. Dias depois, Campinas homenageava as campeãs em uma cerimônia repleta de jornalistas.

Nossa equipe da TV Tracajá estava lá.

Como era de se esperar, a entrevista mais disputada era com Paula.

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Esperamos pacientemente nossa vez.

Quando finalmente ela parou diante da câmera, fiz o ritual de sempre:

— Atenção editoria... gravando com a jogadora Paula... três... dois... um...

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Foi quando senti um leve toque nas costas.

Era Ruberlei Penachin, operador de VT.

Bem baixinho, quase pedindo desculpas, ele disse:

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— Sena... o VT travou.

Olhei imediatamente para o equipamento.

No painel piscava uma pequena luz vermelha.

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Eu conhecia aquele sinal.

Antes de ser repórter, eu havia trabalhado justamente operando aqueles gravadores Sony BVU-110. Aquele LED indicava que o sistema de proteção havia bloqueado o equipamento para preservar a fita e os cabeçotes.

Em outras palavras...

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Não gravaria mais nada.

Durante alguns segundos, eu olhava para o VT.

O operador olhava para mim.

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Eu voltava a olhar para o VT.

Parecia que nenhum dos dois queria aceitar o diagnóstico.

Foi então que Paula percebeu nossa aflição.

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Sorriu.

Fez um X com os braços, como um árbitro encerrando a partida, e perguntou:

— Quebrou, né?

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Balancei a cabeça.

Ela respondeu com uma tranquilidade que me impressiona até hoje:

— Se voltar a funcionar... eu vou estar ali.

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Apontou para a roda onde conversava com as outras atletas.

Agradeci.

Mas eu sabia que não voltaria a funcionar.

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Quando um BVU travava daquele jeito, só a oficina resolvia.

Voltamos para a emissora com imagens, entrevistas e uma reportagem pronta.

Mas sem a entrevista que todo mundo queria.

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Naquele dia aprendi que, por melhor que seja a pauta, por maior que seja a oportunidade, existe um personagem que às vezes decide o rumo da reportagem.

E ele pode caber dentro de uma pequena luz vermelha.

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