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Ataques de pit bull em sequência reacendem debate por lei mais dura a donos

Sete pessoas foram feridas na mesma rua de São Paulo em dois dias; donos foram ouvidos e liberados, e especialistas cobram punição mais firme aos tutores

2 min

04/07/2026 07:00 • Atualizado há 59 dias

Sete pessoas foram atacadas por pit bulls na mesma rua em São Paulo nesta semana, em dois episódios registrados em dias seguidos. Os casos reacenderam o debate sobre a necessidade de uma lei específica para punir donos de cães que atacam e podem até matar, diante da sensação de impunidade que costuma acompanhar esse tipo de ocorrência.

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Os ataques aconteceram quando três pit bulls saíram de uma casa e avançaram contra quem passava pela via. As câmeras de segurança registraram o desespero de um casal de idosos tentando escapar dos animais.

Momentos antes, Maria Tainá, de 20 anos, havia vivido o mesmo pânico e levado uma mordida no pé direito. "Tive que subir nesse portão", relatou a jovem, ainda assustada. No total, sete pessoas ficaram feridas: quatro na quarta-feira e outras três no dia seguinte, na quinta.

Os donos dos pit bulls foram ouvidos e liberados. Eles disseram à polícia que não estavam em casa no momento dos ataques e que os cães teriam aberto o portão sozinhos. A versão é contestada pela vizinhança: uma moradora afirma que o portão sempre fica aberto e que os animais apavoram quem passa pelo local com frequência.

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As cenas se repetem pelo País. Cães que atacam com potencial de matar e donos que, na maioria das vezes, não são responsabilizados formam um padrão que se reproduz em diferentes estados.

Em janeiro, um caso no Ceará teve um desdobramento ainda mais grave: uma passeadora de animais foi mordida por um pit bull e depois agredida fisicamente pelo próprio dono do cão, que, em vez de prestar socorro, partiu para cima da vítima já ferida.

A recorrência dos episódios reacende a discussão sobre a responsabilidade dos tutores. Quem cria um animal tem o dever de impedir que ele coloque outras pessoas em risco, e o debate passa diretamente pela necessidade de modernização da lei.

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Hoje, em caso de ataque, os donos podem responder por lesão corporal, com pena branda que, muitas vezes, se converte apenas em indenização às vítimas.

Para especialistas, esse arcabouço é insuficiente diante da gravidade dos casos. O advogado Wellington Arruda defende que o tema seja debatido até que se chegue a uma punição adequada, capaz de responsabilizar de forma efetiva os tutores negligentes.

"Uma vez feito esse debate, uma vez encontrada a sanção adequada, isso vira a lei para que a gente tenha como responsabilizar tutores descuidados ou eventualmente até criminosos", afirma. Ele rebate ainda o argumento de que a prisão seria uma resposta exagerada: "Demais para quem não foi atacado. Essa é a grande questão."

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