Cães resgatados em enchente no RS são treinados para terapia hospitalar
Dois anos após cheias históricas, animais de abrigos passam por preparação para auxiliar na recuperação de crianças e idosos internados
Dois anos após as enchentes históricas que atingiram o Rio Grande do Sul em maio de 2024, milhares de animais resgatados continuam vivendo em abrigos temporários à espera de adoção definitiva. Para dar um novo propósito a esses animais e incentivar o acolhimento, voluntários e especialistas desenvolvem um projeto de adestramento que transforma cães resgatados em animais de terapia para hospitais.
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A iniciativa treina os cães para auxiliar diretamente no tratamento e na recuperação clínica de crianças e idosos em unidades de saúde do Estado. A cachorrinha Berenice, acolhida há nove meses, é a primeira a integrar o programa de capacitação terapêutica no município de Capivari do Sul.
A proposta busca avaliar o comportamento dos animais alojados e identificar aptidões para atividades de suporte emocional. O objetivo principal é viabilizar lares definitivos e reduzir a taxa de devolução enfrentada pelas organizações de proteção animal.
Avaliação comportamental e processo de adestramento
O treinamento começa com uma triagem técnica para identificar traumas, medos e reações dos animais decorrentes do período de abandono e do estresse do resgate nas águas. O adestrador Lucas Silva explica que os animais precisam apresentar equilíbrio emocional e ausência de fobias antes de iniciarem os exercícios de socialização hospitalar.
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Segundo o adestrador, cães sem traumas avançam para o aprendizado de comandos de obediência, tolerância a toques e interação com pessoas debilitadas em leitos de internação. A preparação técnica adapta os animais aos estímulos sonoros e visuais característicos do ambiente hospitalar, garantindo segurança tanto para os pacientes quanto para os próprios cães.
Superlotação em abrigos e desafios para adoção
Durante as cheias de maio de 2024, forças de segurança e voluntários retiraram cerca de 20 mil animais de áreas alagadas no território gaúcho, distribuindo-os em quase 500 abrigos provisórios. O governo estadual não dispõe de um levantamento oficial consolidado sobre o número atual de animais desabrigados, mas os locais de acolhimento mantidos por ONGs permanecem com capacidade máxima esgotada.
Em Capivari do Sul, um único abrigo abriga 92 animais, sendo que metade desse contingente permanece na instituição desde o período das inundações. A fundadora do espaço, Veronica Nunes, relata que cães idosos, com doenças crônicas ou que necessitam de tratamento oncológico enfrentam resistência do público e raramente são adotados. A voluntária Renata Zanardi, que atua em resgates há seis anos e participou do salvamento de quase mil animais em ilhas da região, reforça que a demanda por cuidados diários se mantém alta e contínua.
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Terapia assistida como alternativa de reabilitação
Para a fundadora de organização não governamental Mariana Serra, a terapia assistida por animais oferece uma nova oportunidade de convivência para cães que enfrentaram situações extremas de sobrevivência. A meta dos organizadores é estender a avaliação e o treinamento a outros animais dos abrigos, expandindo as visitas a mais unidades de saúde gaúchas.
O projeto piloto com a cadela Berenice segue em fase final de testes para iniciar o atendimento hospitalar nos próximos meses.
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