Brasil

Andreazza: Fala de Valdemar é “esculacho” e expõe apropriação das emendas

Colunista cobra que Dino declare inconstitucionalidade de repasses

2 min

16/07/2026 11:12 • Atualizado há 46 dias

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Flávio Dino, determinou nesta quarta-feira (15), que os presidentes de 21 partidos com representação no Congresso prestem esclarecimentos em até dez dias úteis sobre a gestão de emendas parlamentares. A decisão ocorre após o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, admitir em entrevista que dirigentes partidários controlam a destinação desses recursos.

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O colunista político e âncora da BandNews FM, Carlos Andreazza, classificou as declarações como um "sincericídio" que escancara a existência de uma oligarquia parlamentar, termo usado por Dino na decisão, na qual caciques políticos se apropriam das emendas dos parlamentares eleitos.

A "terceirização ilegal" e a apropriação do orçamento público

A intimação do STF foca em descobrir se os presidentes de partidos dispõem de "cotas" ou reservas de recursos do orçamento federal. A Polícia Federal já investiga a atuação de dirigentes como Valdemar Costa Neto e o ex-deputado Eduardo Cunha na intermediação de verbas.

Na semana passada, Dino determinou o bloqueio de R$ 119 milhões em bens do presidente do PL sob a suspeita dessa prática ilegal.

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Para Andreazza, o caso evidencia uma perversão completa da lógica democrática por meio de uma "privatização" informal das emendas. Segundo o colunista, os líderes partidários atuam como proprietários dos mandatos dos parlamentares e terceirizam o uso dos recursos públicos através de fachadas como as chamadas emendas de liderança e de comissão.

"Trata-se de uma apropriação via terceirização de algo que já estava privatizado. O presidente do partido confunde a propriedade da sigla com a propriedade das prerrogativas do representante eleito, o que é um verdadeiro esculacho na lógica orçamentária”, avalia o colunista.

Prazo de resposta e cobrança por inconstitucionalidade

Com o prazo de dez dias úteis em curso, os 21 partidos que tem representantes no Congresso deverão responder formalmente ao STF se utilizam estruturas paralelas para gerenciar recursos públicos. Apesar de apoiar o movimento de Dino, Andreazza defende que o Supremo deve agir com mais rigor técnico, declarando de vez a inconstitucionalidade total das emendas de comissão.

De acordo com Andreazza, o STF não deveria buscar termos de acordo ou atuar como um mero regulador do fluxo financeiro, mas sim exercer o controle de constitucionalidade.

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"Se o ministro está vendo o desrespeito e o vício insanável da terceirização das emendas, o que ele está esperando para declarar a inconstitucionalidade das emendas de comissão?", questionou o jornalista.

Andreazza: Fala de Valdemar é “esculacho” e expõe apropriação das emendas