Caso Ivo Kós: polícia não investiga seguranças que viram agressão em SP
Dentista foi espancada na calçada e levada para dentro do imóvel; agentes de vigilância particular não constam como alvos no inquérito
A Polícia Civil de São Paulo informou que não investiga os vigilantes particulares que presenciaram as agressões do empresário Ivo Kós, de 48 anos, contra a mulher dele, a dentista Giullia Falcão, de 27 anos, na zona oeste da capital paulista. O executivo do mercado financeiro segue detido preventivamente no Centro de Detenção Provisória Pinheiros IV (CDP Pinheiros IV) após a prisão em flagrante realizada no último fim de semana.
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Câmeras de segurança registraram o momento em que a mulher estava sentada na calçada e caiu após receber um soco do marido. As imagens mostram que um guarda de rua auxiliou o homem a arrastar a vítima à força para o interior da residência.
Relato de violência e omissão na calçada
No depoimento prestado à polícia, a dentista relatou que o agressor utilizou um taco de beisebol e um aparelho de choque do tipo taser para atacá-la e ameaçá-la dentro da residência. A vítima ficou com o rosto desfigurado e sofreu uma fratura no dedo da mão. A defesa da dentista requer que a investigação seja enquadrada como tentativa de feminicídio.
Eu achei que eu fosse morrer. Eu fiquei com muito medo. E eu não sabia se eu sairia de lá com vida, declarou a vítima em entrevista exibida pelo Jornal da Band.
O vigilante que auxiliou o empresário trabalha no turno da noite em uma guarita localizada a cerca de 100 metros da residência há 14 anos. O profissional não foi chamado para depor na delegacia de polícia e relatou sua versão apenas aos policiais militares que atenderam ao chamado no local da ocorrência.
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Um colega de trabalho afirmou à equipe de reportagem que o vigilante noturno alegou não ter notado os golpes, sustentando que o agressor apenas pediu apoio para transportar a mulher sob a alegação de embriaguez.
Atuação de viatura privada e posicionamento policial
A vítima informou que os primeiros episódios de violência física daquela noite ocorreram dentro do carro do casal, durante o retorno de um jantar. Uma viatura de patrulhamento da empresa de segurança privada Previx chegou a passar pela via pública durante a confusão. O guarda desembarcou do veículo, mas não interveio no confronto.
Em nota oficial, a Previx declarou que o agente seguiu os protocolos da empresa, acionou a Polícia Militar assim que identificou o atrito e permaneceu no endereço até o desembarque dos policiais. A Polícia Civil de São Paulo reiterou que o inquérito policial apura unicamente a conduta e as responsabilidades criminais do empresário.
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Histórico de ameaças e fraudes financeiras
O histórico de Ivo Kos reúne outros procedimentos policiais e processos administrativos em andamento na capital paulista. O empresário é investigado por lesão corporal e ameaça contra um ex-sócio durante uma celebração religiosa em uma sinagoga em São Paulo.
No setor financeiro, Kos responde a averiguações sobre suspeitas de irregularidades na Virgo, securitizadora fundada por ele em 2018. A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) questionou o uso de mais de R$ 280 milhões de fundos de reserva pertencentes a clientes. A companhia foi negociada em 2025 e o processo segue em tramitação nos órgãos reguladores.
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