Cenipa vai apurar incidente que quase provocou colisão no aeroporto de SP
Peritos de Brasília foram acionados nesta segunda-feira; controlador impediu colisão de Airbus e jatos
A Força Aérea Brasileira (FAB) informou, nesta segunda-feira (17), que agentes do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa), de Brasília, foram deslocados para realizar os primeiros levantamentos sobre o incidente envolvendo um avião da Latam no Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos.
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No sábado (15), o Airbus A320 de matrícula PR-MHM iniciou uma corrida de decolagem sem a autorização do controle de tráfego aéreo enquanto outros dois jatos haviam sido autorizados a cruzar a mesma pista. O controlador interveio e determinou que a tripulação interrompesse a manobra de forma imediata.
Segundo a Aeronáutica, os investigadores estão mobilizados na primeira etapa da apuração conduzida pelo Cenipa.
Nessa fase, são coletados dados sobre o ocorrido, além do levantamento de outras informações consideradas importantes para a investigação. O material reunido vai colaborar com as próximas etapas da apuração, que busca identificar possíveis fatores que contribuíram para o incidente e, se necessário, emitir recomendações de segurança para evitar novas ocorrências do tipo.
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Entenda o caso
O incidente ocorreu por volta das 8h25 de sábado e envolveu o voo LA8019, da Latam, que seguia de Guarulhos para Mendoza, na Argentina.
Gravações da comunicação entre a tripulação e a torre mostram que o Airbus recebeu inicialmente autorização para decolar pela pista 10L. Pouco depois, porém, o controlador cancelou a autorização: “8019, desconsidere. Cancele a autorização para decolagem”, informou a torre.
O piloto confirmou o recebimento da instrução: “Ciente, cancelada autorização do 8019”, disse.
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Após a comunicação, o controle passou instruções a outros aviões e autorizou que um Boeing 787-8 da American Airlines, procedente de Miami, e um Airbus A330-900 da Delta Air Lines, vindo de Nova York, cruzassem a pista 10L durante o taxiamento.
Apesar do cancelamento registrado na fonia, o Airbus da Latam iniciou a corrida para decolagem.
Dados do site de rastreamento de voos Flightradar24 analisados pela reportagem mostram que o avião chegou a aproximadamente 129 km/h. Quando os jatos da American Airlines e da Delta começaram a cruzar a pista, o controlador voltou a chamar o LA8019 e determinou imediatamente a interrupção da manobra.
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“8019, cancele autorização de decolagem! Repito, cancele autorização de decolagem!”, afirmou. “8019 abortou decolagem”, respondeu o piloto.
Após a interrupção, o controlador afirmou à tripulação que a autorização havia sido cancelada quando o Airbus ainda estava na cabeceira da pista. “Você está sobre a pista, mas eu tinha cancelado sua autorização de decolagem ainda na cabeceira”, disse. O piloto contestou: “Negativo, você tinha autorizado e eu pedi o ajuste do QNH 1019”.
A NAV Brasil, responsável pela Torre de Controle do Aeroporto de Guarulhos, confirmou posteriormente que o LA8019 iniciou a corrida de decolagem sem autorização do controlador e que os dois outros jatos estavam autorizados a cruzar a pista. Segundo a empresa, o controlador percebeu a situação e interveio imediatamente, seguindo os procedimentos previstos e impedindo o prosseguimento da decolagem.
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O Airbus retornou à fila de espera e decolou para Mendoza com mais de 40 minutos de atraso. Em nota, a Latam informou que o voo interrompeu a decolagem após solicitação do controle de tráfego aéreo e que o procedimento foi realizado em segurança. A companhia disse ainda que está em contato com as autoridades e à disposição para prestar esclarecimentos.
A concessionária GRU Airport afirmou que o incidente não provocou impactos nas operações de pousos e decolagens do aeroporto.
Tragédia de Tenerife
Um caso envolvendo a colisão entre aviões na mesma pista provocou o maior acidente da história da aviação, em 1977, no aeroporto de Los Rodeos, atual Tenerife Norte, nas Ilhas Canárias, na Espanha.
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Na ocasião, um Boeing 747 da companhia holandesa KLM iniciou a decolagem enquanto outro 747, da americana Pan Am, ainda estava na pista. Os dois aviões colidiram e 583 pessoas morreram.
No momento da colisão, uma forte neblina atingia o aeroporto. Segundo as investigações, uma das causas do acidente foi a falha de comunicação entre os pilotos e controladores.
Após a tragédia, os órgãos de prevenção a acidentes aéreos fizeram uma série de recomendações e mudanças nos procedimentos e na comunicação usada na aviação.
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