CJNG: entenda a origem e o poder do cartel de El Mencho
Facção é a mais buscada do México há anos e pode entrar em nova disputa interna após a morte do líder

A morte de Nemesio Oseguera Cervantes, o El Mencho, no sábado (22), gerou uma onda de violência e temor no México. Considerado um dos maiores narcotraficantes do país e líder do Cartel de Jalisco Nova Geração (CJNG), ele colocou a organização no centro do noticiário internacional.
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O caso também repercutiu fortemente nas buscas do Google. Dados da Sala Digital indicam “El Mencho” e “CJNG” entre os termos mais procurados no mundo, com perguntas como “Mataram El Mencho?” e “Quem é El Mencho?”, além de “o que é CJNG no México” e “o CJNG controla quais estados?”.
A origem do grupo criminoso
A organização surgiu em 2009, após a fragmentação do Cartel Milenio, dando origem ao Cartel de Jalisco Nova Geração, sob a liderança de El Mencho. Cresceu de forma rápida e agressiva, superando outra força dominante do narcotráfico mexicano, como o Cartel de Sinaloa, e se consolidando como uma das organizações criminosas mais violentas do mundo.
Nas buscas na internet, essa disparidade de interesse também aparece. Na comparação entre os dois grupos criminosos, o Cartel de Jalisco é o mais buscado no México desde 2018 e, no mundo, desde 2019.
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A Administração de Controle de Drogas dos EUA (DEA, na sigla em inglês) incluiu o mexicano em sua lista de mais procurados em 2022 e oferecia recompensa de até US$ 15 milhões por informações que levassem à prisão de seu líder, El Mencho. Já em 2025, o governo americano chegou a classificar o CJNG como organização terrorista transnacional.
Estrutura violenta e alcance global
Hoje, estima-se que o cartel liderado por El Mencho atue em mais de 40 países, com presença na América, Europa, Ásia, Oceania e África, e mantenha uma estrutura fortemente paramilitarizada.
O grupo ficou conhecido por:
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- uso massivo de tecnologia bélica
- treinamentos extremamente rigorosos
- ataques coordenados contra autoridades e rivais
Na fronteira com os Estados Unidos, investigações apontam o uso de mais de mil drones por mês para monitoramento e lançamento de explosivos improvisados.
Além do tráfico de cocaína, metanfetamina e fentanil, o CJNG diversificou receitas com sequestros, extorsão, tráfico de pessoas, fraudes e o lucrativo roubo de combustíveis (huachicol) da estatal PEMEX (Petróleos Mexicanos). Parte relevante da estrutura de lavagem de dinheiro era atribuída à rede ligada a Rosalinda González Valencia, esposa de El Mencho, e sua família.
A morte que pode redesenhar o crime
El Mencho foi morto no domingo (22), durante uma operação militar conjunta do Exército Mexicano e da Guarda Nacional, com apoio de inteligência dos Estados Unidos. A ação ocorreu em Tapalpa, no estado de Jalisco. Durante o tiroteio, o líder ficou ferido e morreu enquanto era transportado de avião para a Cidade do México.
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A notícia desencadeou uma onda de violência atribuída a integrantes do CJNG. Segundo autoridades, houve ataques em pelo menos 20 estados, com mais de 50 mortos, além de bloqueios de estradas e veículos incendiados.
No Aeroporto Internacional de Guadalajara, um dos principais do país, houve momentos de pânico. Vídeos com colunas de fumaça, carros queimados e pessoas correndo circularam nas redes sociais. Em resposta, o governo mexicano ativou o “código vermelho”, fechando escolas e paralisando serviços e transportes.
Especialistas avaliam que a morte de El Mencho não representa o fim do CJNG, devido à sua estrutura descentralizada, mas configura um golpe severo na cúpula do grupo e pode abrir espaço para disputas internas pelo poder.
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