Cláudio Humberto avalia Plano de Segurança de Lula como factoide eleitoral
Programa é visto como oportunismo eleitoral, com verba ínfima e histórico de bloqueio a medidas duras, como a redução da maioridade penal, enquanto PEC da segurança para na gaveta de Alcolumbre.
O lançamento do programa "Brasil Contra o Crime Organizado" foi recebido com profundo ceticismo e classificado pelo jornalista Cláudio Humberto como mais um "factoide eleitoral", criado para dar ao presidente Lula um discurso sobre segurança pública para as eleições de outubro. A análise aponta que, além de um investimento ínfimo, o histórico do partido do presidente e a inércia em pautas cruciais no Congresso esvaziam a credibilidade da iniciativa.
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O principal argumento é a disparidade financeira. O R$ 1 bilhão anunciado pelo governo é considerado uma "gota no oceano" para combater facções cujo lucro anual é estimado em R$ 146,8 bilhões pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública — valor que nem inclui a receita do tráfico de drogas. "Não deve produzir nem mesmo cócegas nas organizações criminosas", afirma Humberto.
A crítica se aprofunda ao apontar o que seria o histórico do presidente e de seu partido. "Críticos lembram que o presidente e o PT sempre passaram o pano para bandidos", diz o jornalista, citando a defesa de princípios de direitos humanos como pretexto para impedir a aprovação de medidas mais duras no Congresso. Um exemplo recente mencionado foi a obstrução do governo, há poucas semanas, à votação de uma proposta de redução da maioridade penal, uma medida que, segundo pesquisas, é um "verdadeiro clamor dos brasileiros".
Essa percepção de falta de comprometimento é reforçada pela paralisia de outras propostas. Humberto destaca que uma importante Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da segurança pública está parada há dois meses na gaveta do senador Davi Alcolumbre, sem sequer ter um relator designado, e que o presidente "nem sequer se esforça" para fazer a pauta andar.
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Para o analista, o cenário deixa claro que o que preside a iniciativa "é o oportunismo eleitoral". A percepção geral, segundo ele, é que ninguém acredita nos bons propósitos do programa, visto apenas como uma tentativa de melhorar o desempenho eleitoral de Lula no campo da segurança.
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