Cláudio Humberto: Flávio Bolsonaro repete "lama petista" criticada por ele
Para o jornalista, ao pedir dinheiro a banqueiro para filme, senador reproduz o mesmo método que criticava no PT, como no financiamento do filme "Lula, o Filho do Brasil".
A revelação dos áudios em que o senador Flávio Bolsonaro aparece pedindo dinheiro ao banqueiro Daniel Vorcaro para financiar um filme sobre seu pai, Jair Bolsonaro, cria um cenário politicamente devastador para o parlamentar. Segundo a análise do jornalista Cláudio Humberto, o caso é explosivo porque Flávio construiu parte de sua imagem pública como um crítico implacável dos métodos de financiamento utilizados pelo PT e por Lula, que ele mesmo classificava como um "mar de lama petista".
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A contradição, aponta Humberto, é que o relacionamento do senador com um banqueiro de má reputação para captar recursos privados para seus próprios interesses reproduz o exato modelo que ele denunciava. A prática de buscar apoio de grandes empresários para financiar campanhas ou produções culturais favoráveis a líderes políticos, tão criticada por Bolsonaro no adversário, agora se volta contra ele.
A análise traça um paralelo direto com o financiamento do filme "Lula, o Filho do Brasil", de 2010. Na época, a cinebiografia do então presidente da República foi bancada por grandes empreiteiras que, anos depois, estariam no centro do escândalo de corrupção da Lava Jato, como Odebrecht, OAS e Camargo Corrêa, além da JBS.
Cláudio Humberto ressalta que, embora haja a diferença de que Lula estava no exercício do cargo e não era candidato, o método é essencialmente o mesmo. Milhões de reais foram injetados por empresas que mantinham contratos volumosos com a Petrobras na produção do filme, sendo a operação também justificada como "patrocínio cultural privado".
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As semelhanças entre os dois casos, conclui o jornalista, são "muito incômodas" para o senador, colocando-o em uma posição de vulnerabilidade política ao ser visto praticando exatamente o que condenava em seus adversários.
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