Concurso do MPSP: candidatos pedem recurso contra questão sobre feminicídio
Ao menos 150 participantes exigem anulação de pergunta sobre feminicídio na prova para promotor de Justiça após banca manter gabarito
Pelo menos 150 candidatos que prestaram o último concurso público para promotor de Justiça do Ministério Público de São Paulo (MP-SP) entraram com recursos administrativos para pedir a revisão e a anulação do gabarito oficial da questão de número 7 da prova. A mobilização dos participantes ocorre após a comissão organizadora classificar o assassinato de uma mulher grávida como homicídio qualificado, descartando o enquadramento de feminicídio no caso hipotético.
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A análise oficial do Ministério Público de São Paulo publicada na última semana, no entanto, negou a existência de erro material ou jurídico e manteve a resposta preliminar. A decisão da banca provocou reação contrária imediata de concurseiros, professores de cursos preparatórios e entidades jurídicas de todo o país.
O caso hipotético trazido na prova descrevia um relacionamento em que um casal permaneceu junto durante cinco anos e se separou contra a vontade do homem. Dois anos após o término, o ex-companheiro reencontrou a mulher em uma festa.
Ao vê-la grávida de sete meses do atual marido, o homem atirou contra a barriga dela por inconformismo com a nova situação. A mulher e o feto morreram no episódio. Para os candidatos que recorreram do resultado, a dinâmica narrada no enunciado expõe elementos evidentes de crime motivado pelo gênero e pela violência no contexto das relações afetivas.
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A comissão responsável pela organização do concurso conta com quatro procuradores de Justiça, um desembargador e um advogado indicado pela Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). A questão contestada teve elaboração do procurador de Justiça Antônio Carlos da Ponte, que também redigiu a fundamentação aprovada pela comissão para rejeitar os pedidos de alteração apresentados pelos candidatos.
Na justificativa oficial para negar as contestações, a banca examinadora argumentou que as partes envolvidas estavam separadas havia dois anos e que o texto da prova não apontava sinais prévios de violência doméstica.
O parecer do examinador sustenta ainda que a presença de sentimento de ciúme por parte do agressor, dentro das variáveis descritas na questão, não autoriza juridicamente o reconhecimento formal de feminicídio.
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A fundamentação da banca sofreu críticas de entidades que atuam na defesa dos direitos das mulheres. A comissão da OAB Mulher apontou que a condição de mulher foi o fator determinante para a execução do delito, sustentando que a motivação de gênero decorre da ideia de posse do ex-companheiro.
O Movimento Nacional de Mulheres do Ministério Público, organização que reúne promotoras de diferentes Estados brasileiros, declarou que o enunciado apresentou componentes típicos de feminicídio e solicitou a anulação da pergunta.
Integrantes da própria carreira no Estado também emitiram nota de repúdio contra a banca. O documento assinado por promotoras paulistas aponta que o gabarito oficial mostra incompatibilidade com a jurisprudência consolidada no combate à violência contra a mulher.
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Em cursos preparatórios, professores apontaram que o item traz falhas na formulação jurídica ao desconsiderar as diretrizes penais do feminicídio, sustentando que a anulação é o procedimento adequado para restabelecer a segurança jurídica do concurso.
Diante do debate interno e dos recursos apresentados, o procurador-geral de Justiça de São Paulo e presidente da comissão do concurso, Paulo Sérgio de Oliveira, afirmou que o gabarito representa uma divergência de cunho estritamente acadêmico da banca examinadora.
Paulo Sérgio de Oliveira declarou que a resposta validada não espelha a prática institucional do Ministério Público paulista no enfrentamento aos crimes de gênero. O procurador-geral ressaltou que o órgão mantém atuação rigorosa em processos penais contra o feminicídio em todo o território estadual.
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O Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) e o procurador de Justiça Antônio Carlos da Ponte foram procurados para prestar esclarecimentos sobre as contestações dos candidatos, mas não responderam aos pedidos de posicionamento.
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