Brasil

COP30 em Belém: capital tem menos de 20% de saneamento básico e desafios de moradia digna

Cidade-sede da conferência do clima é a capital com mais favelas no Brasil; prefeito Igor Normando (MDB) diz que está 'mostrando a Amazônia real'

3 min

19/08/2025 13:26 • Atualizado há 374 dias

Problemas na coleta de lixo, saneamento básico, mato alto e uma cidade inteira em obras na esperança de um legado pós COP30. Estes são alguns dos problemas historicamente enfrentados por Belém, capital do Pará e sede da conferência do clima das Nações Unidas (ONU).

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Atualmente, Belém é considerada uma das piores cidades do país no quesito coleta de esgoto. Nem 20% da população tem acesso a saneamento básico, segundo o Instituto Trata Brasil. O número está bem abaixo da média nacional que ultrapassa os 70%.

A cidade de Belém investe em média R$ 61 em saneamento por habitante quando, na verdade, o valor deveria ser de R$ 223. Essa tem sido uma das principais críticas à sede da COP30. No entanto, para o prefeito de Belém, Igor Normando (MDB), os problemas fazem parte da realidade local.

"Estou mostrando uma Amazônia real. Ninguém está aqui maquiando nada. Vou mostrar a realidade. Eu, como prefeito, tenho absoluta certeza que vou fazer meu papel nessa COP".

À reportagem da BandNews FM, Normando diz que vai "preparar a cidade pro evento e garantir com que a população do Brasil e a população internacional conheça a realidade do povo amazônico".

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Sobre as agruras enfrentadas pela população da cidade, o prefeito diz que o povo da Amazônia é "sofrido", mas "que não perdeu a esperança de poder ter dias melhores".

Vila da Barca: comunidade vive com falta de esgoto e moradias precárias | Isabela Mota/BandNews FM

Vila da Barca: comunidade vive com falta de esgoto e moradias precárias | Isabela Mota/BandNews FM

A capital mais favelizada do Brasil

Belém é a capital mais favelizada do país. Quase 60% da população da cidade vive em áreas de favela e de construção em palafitas, que são pequenas casas de madeira que ficam sobre o rio e moldam parte da paisagem da cidade.

Na Bacia do Tucunduba, região de periferia de Belém, os "dias melhores" desejados ainda não chegaram. Os moradores do local enfrentam enchentes e alagamentos desde os anos 90. O casal Ana Clara e Flávio, que residem na Bacia do Tucunduba, contaram à BandNews FM que as obras ali se iniciaram muito antes da chegada da COP30, mas até hoje não terminaram ou mudaram a realidade da comunidade.

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O projeto para a macrodrenagem do Rio Tucunduba teve início nos anos 1990 e foi entregue - em partes - em 2021. No entanto, com a chegada da COP30, o planejamento foi ampliado e deve impactar cerca de 500 mil famílias.

"Nós estamos avançando. É o ideal não nós precisamos de mais. Agora, é inegável que nunca na história da cidade nós tivemos um volume de investimento tão grande não só no centro da cidade, nos pontos turísticos para fomentar a economia gerar emprego e renda, mas também na periferia da cidade", diz Normando.

A maior favela de Belém e a esperança de mudanças após a COP30

A Baixada da Estrada Nova, no bairro Jurunas, é a maior favela de Belém e a 11ª entre todas as favelas do Brasil. O desafio de moradias dignas para a cidade de Belém também será abordado nas discussões da COP30.

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Mesmo quem vive nas comunidades em terra firme tem dificuldades para acreditar que as mudanças trazidas pela COP30 vão de fato melhorar a vida dos paraenses que estão longe dos holofotes do evento.

"Em questão de segurança, tem muito viatura, mas fora isso, de drenagem e limpeza (...) na Doca e na rua do aeroporto está bonito, lindo, mas pra cá, na Baixada, tudo da mesma forma. Choveu esses dias e a rua ficou toda cheia", relata um morador à BandNews FM.

O que é a COP30?

A COP30 acontece entre os dias 10 e 21 de novembro em Belém, considerada a porta de entrada para a Amazônia. É por meio das discussões que acontecem neste evento global que as autoridades dos países participantes devem tomar as decisões necessárias para implementar os compromissos assumidos no combate à mudança do clima.

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Cerca de 50 mil pessoas são esperadas na capital paraense durante o mês do evento.

*Reportagem em texto editada por Rafaela Lara

COP30 em Belém: capital tem menos de 20% de saneamento básico e desafios de moradia digna