Facções usam 'fazendas de bitcoin' para lavar dinheiro e furtar energia
Estruturas clandestinas de mineração de criptomoedas foram encontradas em comunidades do Rio de Janeiro e de São Paulo; polícia intensifica combate à prática
O crime organizado descobriu nas criptomoedas uma nova fonte de renda e lavagem de dinheiro. Fazendas clandestinas de mineração de bitcoin compostas por dezenas de computadores de alta potência ligados em série têm sido encontradas pela polícia em comunidades do Rio de Janeiro e de São Paulo, operando com furto de energia elétrica e envolvimento de facções criminosas.
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Uma dessas estruturas foi encontrada nesta semana pela polícia em Paraisópolis, na zona sul de São Paulo. No local, foram apreendidas máquinas de mineração de bitcoin de alto desempenho e equipamentos avaliados em mais de R$ 100 mil.
Segundo os policiais, o imóvel era usado para lavagem de dinheiro e funcionava com energia furtada da rede elétrica. Poucos dias antes, uma operação da Polícia Civil no Rio de Janeiro havia encontrado outra fazenda semelhante durante uma ação contra o Comando Vermelho, com suspeita de ligação com atividades financeiras ilegais.
Para entender a atratividade dessas estruturas para o crime organizado, é preciso compreender como funciona a mineração de criptomoedas. Assim como o dinheiro físico, todas as transações com criptomoedas precisam ser registradas e verificadas — mas sem a intermediação de um banco.
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Essa função cabe aos chamados "mineradores": equipamentos e softwares especializados em conferir transferências na rede. Vários computadores competem entre si, combinando sistemas matemáticos e programação, e o primeiro a concluir a verificação recebe uma recompensa em criptomoedas.
É, em essência, o equivalente digital da mineração de ouro.
O problema é que esse processo consome volumes enormes de energia elétrica. E é exatamente aí que entra a estratégia das facções. Nas comunidades onde exercem controle territorial, as organizações criminosas têm facilidade para instalar ligações clandestinas (os chamados "gatos") e abastecer as máquinas sem pagar pela energia. Sem esse custo, o que seria uma atividade de lucro marginal se transforma em um negócio altamente rentável.
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"São utilizados computadores de alta potência, que puxam muita energia elétrica", explicou o delegado Christian Nimoi, da Delegacia de Repressão aos Crimes Cibernéticos (DCCiber) da Polícia Civil de São Paulo.
"Isso torna desaconselhável, numa rede verdadeiramente utilizada, o uso desse tipo de mineração. Os lucros seriam pouquíssimos se não fossem usados artifícios clandestinos.", completou
A mineração de criptomoedas, por si só, não é ilegal. O crime surge quando a atividade é associada a outros delitos, como o furto de energia, a lavagem de dinheiro e o financiamento de organizações criminosas. É essa combinação que preocupa as autoridades e tem motivado operações policiais em diferentes estados.
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Para Nimoi, a prática está em expansão. "Temos visto que tem aumentado muito essa prática, e estamos de olho para combater da forma mais eficaz", afirmou. A DCCiber monitora o crescimento das fazendas clandestinas e busca identificar as redes de financiamento por trás dessas estruturas, com o objetivo de desarticular mais uma frente de atuação do crime organizado no País.
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