Brasil

Família egípcia está retida há 20 dias no aeroporto de Guarulhos

Portaria de 2019 permite barrar entrada de imigrantes sem contestação; caso repete situação de família palestina retida na semana passada

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30/04/2026 19:41 • Atualizado há 123 dias

Uma família egípcia está retida há mais de 20 dias na área restrita do Aeroporto Internacional de Guarulhos, mesmo com vistos de turista válidos e pedido de refúgio formalizado. Abdallah Montaser, empresário, aguarda uma decisão da Justiça junto à esposa, que passa por uma gravidez de risco de oito meses, e dois filhos pequenos, de 5 e 2 anos. Um deles tem intolerância à lactose e doença celíaca. Desde o dia 8 de abril, a família vive em um quarto de hotel dentro do aeroporto.

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No desembarque, a Polícia Federal (PF) impediu a entrada da família porque Abdallah foi classificado como pessoa perigosa, sem explicação dos motivos. A PF se baseou em uma portaria do Ministério da Justiça de 2019, que permite barrar a entrada de imigrantes sem possibilidade de contestação.

Em nota, a PF afirmou que não comenta casos concretos e que sua atuação observa estritamente a legislação brasileira e os compromissos internacionais do país.

A defesa argumenta que Abdallah fugiu do Egito em 2015 após ser condenado à prisão por participar de manifestações contra o ditador Abdel Fattah al-Sisi. A família viveu no Bahrein até este ano, quando o conflito no Oriente Médio tornou o país perigoso.

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O advogado da família, Willian Fernandes reconhece a importância do controle de segurança, mas defende que ele deve ser conjugado com os direitos humanos. "Esse não é um caso de polícia", afirmou.

A situação se agravou na última sexta-feira, quando a esposa grávida precisou ir ao hospital após sentir dores abdominais e chegou a ter o atendimento negado inicialmente. Para a coordenadora do Núcleo de Pessoas Migrantes e Refugiadas da OAB/SP, Carla Mustafa, o caso vai contra o espírito da lei de imigração brasileira, elaborada a partir de uma perspectiva de direitos humanos e acolhida humanitária.

Não é o primeiro caso. Na semana passada, o Jornal da Band mostrou que a mesma portaria fez uma família palestina ficar retida em Guarulhos por seis dias.

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