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Observatório declara fim da fome em Gaza, mas crise humanitária continua

Relatório da IPC aponta que melhora no acesso à ajuda humanitária após cessar-fogo reverteu o quadro mais grave, mas alerta que situação é 'frágil' e pode se agravar

3 min

21/12/2025 17:37 • Atualizado há 253 dias

Observatório declara fim da fome em Gaza, mas crise humanitária continua

Um relatório da Classificação Integrada das Fases da Segurança Alimentar (IPC), principal autoridade global no monitoramento da fome, apontou que a Faixa de Gaza não se enquadra mais tecnicamente na classificação de fome. A melhora no cenário é resultado direto do aumento na entrada de ajuda humanitária desde o início do cessar-fogo entre Israel e o Hamas, em 10 de outubro. Apesar do avanço, o documento alerta que a situação no enclave continua crítica e altamente frágil.

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A nova avaliação surge quatro meses após o mesmo observatório ter declarado, em agosto, um estado de fome em partes de Gaza, quando mais de 514 mil pessoas — quase um quarto da população — enfrentavam o nível mais catastrófico de insegurança alimentar. A declaração atual representa uma reversão do quadro mais agudo, mas o relatório sublinha que a crise está longe de terminar, com a grande maioria dos palestinos ainda em situação de emergência alimentar.

O que diz o relatório?

A análise da IPC, apoiada pela ONU e diversas agências humanitárias, esclarece que, embora nenhuma área esteja mais classificada como fome, cerca de 100 mil pessoas ainda vivem em "condições catastróficas" e quase toda a população de Gaza permanece em fases de "crise" (terceiro nível mais grave em uma escala que vai de um a cinco) ou "emergência" (na quarta etapa). A melhora foi possível graças à entrada de um volume maior de alimentos e suprimentos, mas o progresso é considerado instável.

O documento é enfático ao afirmar que "no pior cenário possível, que incluiria a retomada das hostilidades e a interrupção dos fluxos humanitários e comerciais, toda a Faixa de Gaza corre o risco de passar fome até meados de abril de 2026". A declaração ressalta a dependência contínua da ajuda externa para a sobrevivência da população.

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O papel do cessar-fogo e a posição de Israel

A trégua, que começou em 10 de outubro após meses de conflito intenso, foi o fator determinante para a melhora no acesso humanitário. Israel, que controla todas as fronteiras do enclave, afirma ter aumentado significativamente a permissão de entrada de suprimentos. O Cogat, órgão militar israelense que coordena a ajuda, declarou que desde o início do cessar-fogo, entre 600 e 800 caminhões com alimentos e outros itens entraram diariamente em Gaza.

No entanto, o governo israelense rejeitou as conclusões do relatório da IPC, afirmando que ele se baseia em dados falhos e que "induz a comunidade internacional ao erro". O Hamas, por sua vez, contesta os números de Israel, alegando que a quantidade de ajuda que efetivamente chega à população é muito menor.

Próximos Passos e o Alerta para o Futuro

O principal alerta do relatório da IPC e das agências da ONU é que qualquer ganho obtido é reversível. A continuidade do cessar-fogo e a garantia de um acesso humanitário seguro e sem impedimentos são cruciais para evitar um retrocesso. A reconstrução da infraestrutura local, como terras cultiváveis e sistemas de água, destruída durante o conflito, é vista como fundamental para uma solução de longo prazo.

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A comunidade internacional mantém a pressão para que o fluxo de ajuda não apenas continue, mas seja ampliado. A preocupação agora se volta para a sustentabilidade dessa melhora e os riscos que uma nova escalada do conflito representaria para milhões de vidas que ainda dependem de ajuda para sobreviver.

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