Brasil

Fiscalização flagra vans escolares com pneus carecas e falhas nos freios

Levantamento aponta que 11% dos veículos vistoriados no primeiro trimestre de 2026 possuíam irregularidades; falta de norma nacional dificulta controle

3 min

06/05/2026 20:08 • Atualizado há 117 dias

Uma fiscalização realizada em vans escolares na cidade de São Paulo identificou problemas graves de manutenção, como pneus carecas e falhas nos sistemas de freios e suspensão. O cenário gerou alerta para os pais que dependem do serviço, visto que a capital paulista possui uma frota de 13.180 veículos cadastrados na prefeitura.

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Desse total, quase um terço — exatamente 31,74%, o equivalente a 4.183 veículos — opera no Serviço Escolar Gratuito (SEG). Os dados referentes aos três primeiros meses de 2026 revelaram que 11% dos veículos fiscalizados apresentaram algum tipo de irregularidade.

Entre janeiro e março, os agentes vistoriaram 1.439 vans, resultando na apreensão de quatro veículos por falta de segurança e dois por transporte clandestino. Além disso, 157 condutores foram autuados por outras infrações administrativas. As principais falhas detectadas incluíram revestimentos de bancos danificados e problemas na iluminação externa, como faróis e lanternas queimados.

Em 24 de abril, uma van escolar perdeu o freio e bateu contra o muro de uma casa em Guaianases, na zona leste de São Paulo. Imagens de câmeras de segurança mostraram o veículo descendo uma ladeira desgovernado antes da colisão. As crianças saíram rapidamente da van e foram ajudadas por moradores da região.

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Ausência de regulamentação nacional prejudica segurança

Um dos principais entraves para a padronização da segurança no transporte escolar é a inexistência de uma regulamentação federal unificada. Para Daniel Bassoli Campos, diretor executivo da Federação Nacional da Inspeção Veicular, a falta de uma norma nacional cria abismos na qualidade da fiscalização entre diferentes regiões do país.

Segundo ele, o que é exigido em uma vistoria rigorosa na capital paulista pode não ser sequer verificado em cidades do interior de outros estados, deixando o sistema vulnerável.

Enquanto a legislação nacional não é unificada, os motoristas que buscam trabalhar dentro da legalidade em São Paulo enfrentam um calendário rígido de obrigações. A condutora Kátia Cristina Castilho Serra relatou ao Jornal da Band que precisa submeter seu veículo a uma vistoria municipal a cada seis meses.

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Além disso, a renovação da licença da prefeitura é anual, a checagem do tacógrafo ocorre a cada dois anos e a renovação da licença de condutora deve ser feita a cada cinco anos. Kátia reforçou que a manutenção em dia é uma responsabilidade ética, pois transporta "tesouros que não lhe pertencem".

A importância da manutenção preventiva

Para os pais, a confiança no condutor é o fator determinante. Bruno Tavares, que utiliza o mesmo serviço de transporte para o filho adolescente há oito anos, destacou que a segurança é sua prioridade absoluta.

Na ponta da prestação de serviço, motoristas como Alexandre Serra afirmaram que a manutenção preventiva é o único caminho para evitar acidentes. Com 15 anos de profissão, ele relatou que procura oficinas especializadas ao menor sinal de ruído estranho no veículo para garantir que nenhuma falha mecânica coloque em risco os estudantes.

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Apesar dos esforços individuais de motoristas qualificados, as autoridades reforçaram a necessidade de os responsáveis checarem se o veículo possui o selo de vistoria atualizado e se o condutor está devidamente cadastrado nos órgãos municipais. A manutenção adequada é capaz de evitar a maioria das irregularidades que levaram às autuações e apreensões registradas neste início de ano.

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